segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Inconstância?




Nunca, ou quase nunca, sabemos aquilo que queremos.
Vivemos numa vida muitos amores. Uma existência, um conforto, um bem-estar mas sempre com a dúvida de termos feito a opção correcta.
Temos alguém que nos espera, que nos atura e nos dá o melhor que tem para nos dar.
Aceita e tolera as nossas frustrações, suporta as nossas mudanças de humor, perdoa a nossa insegurança de uma forma que nos faz sentir seguros.
E nós? Sim e nós?
Inseguros porque deixamos amores mal resolvidos?
Duvidas pela forma desarrumada em que temos a nossa cabeça?
Temos sempre receio de não termos tomadas as melhores opções.
Não temos a certeza de nada.
Conquistamos tudo e não sabemos se era isto que queríamos.
Não conseguimos ter a certeza se a segurança e o bem-estar é aquilo que efectivamente procurávamos, ou se preferíamos o conflito, a incerteza, o degladiar de personalidades fortes e antagónicas.
Quanto nos arrependemos de decisões mal tomadas? Quantas vezes pensamos voltar atrás mesmo sabendo que seria o pior possível.
Quantas vezes repetimos e repetimos os mesmos erros?
A nossa inconstância é permanente, mas é ela que nos dá o motivo para sermos diferentes.
Será que o bom senso imperará sempre?
Esperemos que sim!




Vamos beber todo o romantismo deste imortal “blue velvet”



sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mea Culpa


Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não
(Manuel Alegre)


Todos os dias penso o mesmo, mas o ciclo vai-se repetindo e fica sempre adiado para outro dia. È difícil fugir aos hábitos a que nos vamos arreigando ao longo dos anos.
Sei que o amanhã será sempre diferente do ontem e até do hoje, mas fica sempre a ideia de que poderá ser melhor.
Vem isto a propósito da inconstância da vida, da forma leviana como vivemos o dia a dia, indiferentes as misérias que nos rodeiam.
Vimos as notícias na Televisão, ou lemos no jornal e ficamos consternados, mas pouco tempo depois já esquecemos tudo e continuamos indiferentes na procura do nosso conforto e do nosso bem-estar. Esquecemos por que queremos esquecer, por egoísmo, porque é mais cómodo.
Mas a vida é mesmo assim. Todos os dias deixo para amanhã o meu contributo.
Todos os dias fico à espera que os outros resolvam aquilo que eu também deveria ajudar a resolver.
Mea culpa.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Que fazer?



Há na vida tantas vidas que se torna difícil escolher a que mais nos marcou.
Começamos como um embrulho que corre de braços em braços. Temos que ouvir
toda a espécie de baboseiras. Menino lindo, tal e qual o pai.
Depois é tragar todas as canções com que nos querem embalar. Papão vai-te embora de cima desse telhado. È terrível o que temos que aturar, por isso é natural que quando vamos crescendo comecemos a bater mal.
A seguir vem aquela idade dos porquês. A idade em que não nos sabem explicar tudo.
Em que nos dizem apenas o principio e deixam à nossa imaginação o resto. Depois ficam irritadas porque repetimos os porquês? Porque não dizem tudo! Uma criança precisa de perceber e saber porque. Se dizem que o céu é azul sem dizer porque. Podia ser verde, não podia?
Ficamos mais crescidos e já não precisamos dos cotas para nada. São velhos e pouco sabem. Escondem as coisas que nós conhecemos melhor do que eles. Sabemos mais de computadores de telemóveis e playstation de que qualquer pai ou mãe deste mundo.
São mesmo uns atrasados moralistas. Não chegues tarde! Cuidado com os rapazes! Tem cuidado com as raparigas, pois elas querem todas o mesmo. Mas o mesmo o que? Nós conhecemos melhor as gajas do que todos os pais juntos. Que seca!
Conseguimos, apesar de tudo, sobreviver e começamos a ser crescidos. Não tarda começa o suplicio do entra ou não entra para a Faculdade. Os meus filhos têm que ser doutores. Não interessa de que, mas tem que ser doutores, ou engenheiros ou arquitectos. Não quero que sejam como eu, desgraçado que toda a vida trabalhou para os outros a encher o cu aos patrões.
Vão ser doutores e pronto.
Que importam que vão trabalhar para a caixa de Supermercado ou atender telefone num call center, mas são doutores.
Curso acabado ou não, começa o inferno. Manda curriculum, vai a entrevista, mete cunha. Nada, tem habilitações a mais, ou, as suas habilitações não servem.
Que fazer? Tenho uma licenciatura, eu sei que o nome é esquisito e que só quem tem o curso a conhece, mas é uma licenciatura, Pronto!
Que hei de fazer? Vou continuar a viver a conta dos velhos, que afinal sabem mais do que eu pensava. Até que o velhote é “bué da esperto” e a velha tem cá umas mãos!
Que seca, não foi para isso que eu vim ao Mundo.
Que fazer?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Salvé 13 de Novembro......




Mais um na conta da vida.
È dia de festa, os nossos corações estão festivos.
Que saltem as rolhas do Champanhe, que as fatias do bolo encham os nossos pratos.
Cantemos pois com alegria:
Parabéns a você nesta data querida, muitas Felicidades, muitos anos de vida.

Parabéns Ana Teresa.




terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Familia..............



"No Estado pode haver vários chefes; na família só pode haver um." (Aristóteles)

A minha família vai-se diluindo no tempo.
A morte vai inexoravelmente fazendo a sua ceifa.
Fica a saudade e a certeza de que um dia iremos ser recordados como agora recordamos os que partiram.
É a vida, dizem os mais práticos, é a morte, digo eu.
A lógica não existe.

* * * *

Cravos Vermelhos
(Florbela Espanca)


Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!
Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!
…Bem sei vosso segredo…Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: “Uma manhã, o sol,
O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga


Olá amigo!


O destino tem quatro direcções diferentes.
(Mia Couto)


Foi em 1975 que nos cruzamos no mesmo lado da barricada.
Agitamos a mesma bandeira, colamos os mesmos cartazes.
Tivemos o mesmo 25 de Abril.
Era o romantismo da Revolução que nos animava.
A nossa luta era a luta dos que acreditavam.
O mesmo clube nos despertava as emoções e o sofrimento.
Sim, ser do Sporting é para sofredores.
Foi assim que nos tornamos amigos. Primeiro por ideais, depois porque
a amizade nasce do nada.
Ser amigo do Fernando é fácil, porque ele sabe o que é a amizade e
cultiva-a todos os dias.
Trilhamos muitos caminhos em comum.
Nós e outros amigos que da vida já se despediram.
Nada nem ninguém, pensávamos nós, nos podia separar.
Mas o ciúme pode mais que todas as maleitas.
As nossas vidas seguiram rumos diferentes.
Sempre tão próximos e sempre tão longe.
Mesmo afastados continuou a ser o meu melhor amigo.
Passaram 34 anos e o nosso percurso cruzou-se outra vez.
Não falamos do passado, falamos de nós.
Não lamentamos o que não merecia ser lembrado.
Trocamos um abraço e tudo recomeçou como antes.
Continuamos a ser os melhores amigos.
Agora nada nos irá impor outros 34 anos.
Já não é possível.
Não temos tempo!



sábado, 8 de novembro de 2008

Peço perdão......


Explicar o inexplicável é impossível, pelo menos é difícil.
Sentir uma grande amizade e simpatia por alguém que não conhecemos é, acho eu, pouco comum.
Mas acontece e, eu tenho essa grata experiência.
De uma forma apenas curiosa fui espreitar o BlogdaFilipinha e fiquei fã.
Descobri alguém que nos desnuda os seus sentimentos.
Nos transmite com muita energia o que lhe vai na alma.
Solta, num grito de revolta ou num lamento as desditas do dia a dia.
Agradece com efusão os pequenos bens que a vida lhe concede.
Transmite-nos de forma precisa, clara e fresca os pequenos momentos do quotidiano.
Não a conheço mas, atrevo-me a dizer que é uma mulher transparente, determinada mas um pouco indecisa. Estou enganado?
Mas pouco importa o que seja ou como seja, o importante é que faz parte deste mundo da Blogosfera e que me permite, dia a dia, beber a seiva dos seus pequenos mas enormes apontamentos.
Força, continue.
Estarei sempre à espera.