terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Confusão.....




Ainda na sequencia do interessante debate da RTP sobre os
casamentos homossexuais, não posso passar sem fazer algumas considerações.
Todos sabemos quão controversa é a questão. Quantos paradigmas
lhe estão associados.
Temos a consciência de vai ser difícil inculcar em muitas mentalidades
retrógradas esse conceito de que a sexualidade de cada um é livre.
Que todos têm direito a escolher o seu caminho e aquilo que os faz felizes.
Vai ser difícil acabar com a homofobia que povoa tantas mentes, mesmo muitas
daquelas que se dizem abertas e liberais.
Vai ser difícil mudar a mentalidade de uma Igreja atrasada, embuida de preconceitos, dogmática, sem abertura para a evolução das mentalidades.
Vai ser difícil fazer os políticos decidir sem ambições eleitoralistas.
Vai ser difícil mudar a mentalidade do meu amigo Serafim que diz:
-Aceito que uma mulher goste doutra mulher, porque gostar de mulheres é fácil, eu também gosto. Mas homens de homens? Isso nunca!

Vai ser difícil e todos temos que participar nessa discussão.
O vosso Blog pode ser uma ajuda.
Força......


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Resquiescat in pace


Finalmente descansa em paz.
Eluana tinha 20 anos quando a fatalidade lhe tirou a vida.
Sim Eluana morreu nesse dia, há 17 anos. A vida que depois lhe atribuíram não foi vida, foi sofrimento, foi artificialidade, foi desumanidade.
A vida é um bem que nós gerimos, que nos dá a possibilidade de andar, correr, chorar, amar.
É a vida que nos dá o bom e o mau, a alegria e o sofrimento.
É a nossa vida! Que nos pertence, que nos dá a capacidade de decidir, de ser felizes.
Se nos tiram tudo isto a vida termina.
Eluana foi privada de tudo, ligada a uma máquina, por meio de tubos.
A vegetar.
Ninguém sabe se sofria, se sentia, se ouvia, se tinha emoções.
Ninguém sabe.
Só sabemos que jazia como um ser amorfo, abstracto, degradante.
Isto não é vida, isto é mil vezes pior que a morte.
Os altos dignatários de uma Igreja caduca, vieram à liça condenar o que é incondenável. Vieram apregoar e propagar o direito à vida. À vida que Eluana já não tinha.
Esqueceram a dignidade.
Esqueceram que viver amarrada, 17 anos, numa degradação constante e progressiva, sem esperança, sem presente, sem futuro não é vida.
Esqueceram que todos os dias morrem milhares de fome, na miséria de um Mundo, que esses Senhores fazem por ignorar.
Levantem a vossa voz e façam ouvir a vossa indignação, condenem os massacres, os lenocínios, os incendiários.
Condenem o que é condenável.
Façam-se arautos de causas nobres.
Mas deixem, agora, Eluana Englaro descansar em paz.
Tem esse direito.




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dia 14 e antes que alguém se antecipe......



Todos sabemos que foi o marketing quem criou todos estes dias especiais.
Temos o dia da mãe, que começou por ser no dia 8 de Dezembro e, saibamos lá porque, alguém se lembrou de mudar.
Dia dos namorados, dia da mulher, dia dos avós, da saudade e... eu sei lá quantos. Só não conheço o dia do homem. Há, ou será que são todos os outros? Não acredito!
Mas isto foi apenas um pequeno intróito.
Voltando ao que aqui me trouxe ou seja o Dia dos Namorados,no dia 14, vejamos o que nos diz a história acerca do dia de São Valentim:

"Durante o governo do imperador Caldeus II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Caldeu acreditava que os jovens se não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Assíria filha do carcereiro a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram-se apaixonando e ela milagrosamente recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C." (Texto copiado na diciopedia)

Embora critico destas regras que nos impõem, não me posso desassociar da data.
Para todos os namorados (casados também são namorados) a minha homenagem com esta linda poesia de Almeida Garret

Os Cinco Sentidos
São belas – bem o sei, essas estrelas
Mil cores – divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho amor, olho para elas;
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti – a ti!
Divina – ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
Será; mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti – a ti!
Respira – n'aura que entre as flores gira,
Celeste – incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti – de ti!
Formosos – são os pomos saborosos,
É um mimo – de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos,
E só de ti – de ti!
Macia – deve a relva luzidia
Do leito – se por certo em que me deito;
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti – em ti!
A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Recordações.....


Li duas belas mensagens sobre a Saudade e fiquei receoso de abordar o mesmo tema. Não porque as minhas queridas amigas “virtuais”, se pudessem importar. Sei que não!
Mas pelo o que a questão encerra.
É difícil para quem vive a saudade de uma forma tão intensa, para quem a saudade são todos os momentos, ser capaz de falar de saudades.
As saudades, para mim, são recordações, são momentos inapagáveis que me povoam e me dão a força que encontro, nem sei bem onde, para continuar a sorrir por fora e a manter as lágrimas bem dentro de mim.
Não é fácil e por vezes as resistências vergam e batem bem no fundo.
É a força do motivo das minhas saudades que, outra e outra vez, me trás à tona e me dá as resistências que me são necessárias até ao dia em que não precise mais delas.
São os momentos do passado em que, com alegria respondia ao desafio, e calcorreávamos as ruas desta Lisboa na procura de um pequeno-almoço especial de torradas, bacon estaladiço e dois apetitosos ovos estrelados, acompanhados de uma grande chávena de café.
Era díficil mas sempre o conseguimos, mesmo depois de uma caminhada, a pé, da Ajuda até à Baixa.
Que alegria voltarmos de braço dado, felizes, não pelo pequeno-almoço, mas pelo momento, pelo cumplicidade, pela força que nos motivava.
E as nossas noites de pesca que só acabavam ao raiar da manhã, quando o nosso, farto, farnel chegava ao fim.
Quase nada pescávamos, mas que interessa isso se o objectivo era o conforto da companhia, do companheirismo e das belas noites de conversa.
Os longos caminhos percorridos, as férias em Santa Cruz, as tardes na piscina do Vimeiro, os Domingos sofridos no Estádio José Alvalade.
Quando ganhávamos íamos festejar para O Paco, quando perdíamos íamos afogar as mágoas nas imperiais do Paco.
São tantas e tantas recordações, de saudades, que o engenho me falta.
Um dia, há tantos anos, uma onda arrastou-nos numa praia da Costa da Caparica, lutamos e perdemos as forças. Eu quis desistir, mandei-te embora. Como me lembro das tuas palavras, ou vamos os dois ou ficamos os dois. Fomos, conseguimos, e eu hoje estou aqui.
E quando de repente dizias, vamos a Évora comer uma açordinha?
São estas recordações, mais que saudades, que me tem dado as forças suficientes para me sobrepor à loucura.
Tem sido a coragem que aprendi com quem comigo aprendeu a vida, que me dá a resistência para estar aqui.
Vou continuar a viver nestas recordações que me povoam e me animam. Que me alimentam. Que são minhas. Só minhas.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Há dias assim....



Há momentos em que não sabemos o que queremos.
Sentimo-nos incompreendidos, quando na realidade somos nós próprios que nos não compreendemos.
Uma apatia, uma angústia, um não sei que nos agarra e oprime, uma insatisfação estranha, uma melancolia incómoda.
Andamos desconhecidos, amorfos, desmotivados. Há algo dentro de nós que quer e não quer.
Os ideais fogem de nós, os sonhos desvanecem-se num emaranhado de incertezas.
Ouvimos a música ao longe, sons monocórdicos, difusos, distantes numa confusão que os nossos ouvidos mal conseguem descodificar.
Há dias assim!


(Alexandre O’Neill)

O amor é o amor – e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Eu sou assim.......



A Filipinha lançou o repto e a Ana confirmou.
O desafio é difícil mas eu gosto deles assim.
Vou tentar em 16 pontos chegar a algum lado.
Será que o vou conseguir?
Convites não os faço, espero que quem me lê possa dar continuidade.



1-Sou muito pragmático e avesso a regras e dogmas.
2-Sinto-me, como digo no perfil, perdido no tempo. Acho que nasci na época errada.
3-Triste, porque a vida me tirou as razões que eram a alimentação da minha alegria.
4-Adoro crianças e sou feliz por que elas me retribuem.
5-Tenho poucos amigos, mas os que tenho são os melhores de todos.
6-A leitura, a escrita, a música e viajar fazem parte de mim.
7-Gosto de sonhar, sou romântico, adoro andar de mãos dadas, de dar e receber flores,
de ver o por do Sol à beira mar.
8-Acredito no Amor e em grandes paixões, mas sou um pouco volúvel.
9-Sou um TOC por acaso, mas gosto muito do que faço. Sonhei ser biólogo mas a
a vida não deixou.
10-O cinema já foi uma das minhas paixões, agora estou mais comedido.
11-Acredito nesta vida e nada mais para além dela.
12-Fui um crente fervoroso, mas estava errado.
13-Prefiro o campo à praia. Gosto do cheiro da terra molhada.
14-Sou Alentejano por acidente, mas amo a minha terra, a minha gente e a sua cultura.
15-Arroz de pato e salsichas com couve lombarda são os meus pratos preferidos.
16-Se pudesse mudar algo em mim? Não mudava nada.
17-Sou um Sportinguista nato, mas não faccioso.




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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Estou como o dia



Nos dias de chuva parece que a solidão mais facilmente toma conta de nós.
Olho pela minha janela e vejo o escuro do céu e a chuva insistente a tamborilar nos carros que, também solitários, se encontram abandonados na rua.
Um cão rafeiro passa apressado na procura de um refugio.
Uma ave perdida em ziguezagues procura um canto de uma árvore como o aconchego que a defenda da agrura do tempo.
Os meus olhos vagueiam na procura de um raio de sol que me aqueça o ânimo e me desperte para o dia.
A esperança, depressa, se desvanece pois as nuvens escuras que se perfilam no horizonte são o aviso do resto da borrasca.
A tristeza do dia contagia a minha.
Nada mais há a fazer.
Apenas me sobra o trabalho.