terça-feira, 10 de março de 2009
Um cão para Obama......

Que Arautos e trombetas se façam ouvir aos quatro ventos.
Que o som do orgulho nacional inche, de novo, impante de vaidade.
Que as noticias espalhem à desfilada a importância do acontecimento.
Que as televisões, rádios e jornais não se calem.
Que os tristes rostos dos portugueses se alegrem finalmente.
Que se esqueça a crise, a recessão, o desemprego e o défice.
Que Egas Moniz e Saramago se arrumem na gaveta do esquecimento.
Que Camões, Vasco da Gama, Mouzinho e Sacadura sejam notas do passado.
Que Eusébio, Figo, Mourinho e Ronaldo sejam destronados.

È triste mas um cão está a conseguir tudo isto.
Curvem-se ao novo rei.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Começar de novo.....

Há dias em que a loucura nos acontece e em que o nosso desejo suplanta a racionalidade.
Pensamos em coisas que o tempo diluiu, em acontecimentos que estão tão fragilizados pelos anos passados, que se nos afiguram de uma forma tão ténua que temos mesmo medo que se quebrem na debilidade do nosso imaginário.
Sabemos que aconteceu, temos presente o episódio, mas os factos são desvirtuados pela memória.
As recordações de estórias que nunca serão histórias bailam na nossa mente de uma forma confusa e, até se entrelaçam e se confundem com outras também distantes.
Há momentos em que a confusão se instala e a racionalidade desaparece.
Ficamos como flutuando num emaranhado de emoções que o passado nos deixou.
Queremos ser racionais e pragmáticos mas a confusão que nos assola o espírito, é mais forte e a desordem que baila dentro de nós não nos deixa ser práticos.
Ficamos confusos num labirinto de perturbação e de frustrações.
Queremos desmaterializar a nossa existência e voltar a um ponto zero.
A um ponto em que, ainda, nada aconteceu.
A um etapa que nos permita limpar e repor o errado.
Passar a esponja e apagar.
Fazer como se todo o passado tivesse sido apenas o marasmo de sono mau.
De um pesadelo.
Queremos fazer a selecção.
Talvez começar de novo.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Utopia....

Mas afinal o que é a Utopia? Será que uma quimera, uma ilusão ou um devaneio, pode condicionar toda uma vivência? Ou será que a utopia não passa mesmo disso, duma utopia?
Poderia dar-me ares de sabedor e dissertar sobre causas que me ultrapassam e, entrar em esferas que me estão vedadas.
Poderia tentar descobrir com a magia da palavra, considerações ocultas em mundos prosaicos, desencantar reflexões para tentar chegar a uma conclusão.
Poderia, quiçá, dizer que a Utopia é apenas Fantasmagoria e que tudo o resto são considerações mais ou menos filosóficas para explicar o inexplicável.
Como dizia Tomás Moro, a Utopia é um País imaginário em que tudo está organizado de forma superior.
Logo é fácil concluir porque é que a Utopia é mesmo uma Utopia.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Confusão de sentimentos?

Confusão de sentimentos...
Há momentos nas nossas vidas em as ideias nos baralham os sentimentos, em que não sabemos descodificar o que nos move.
Pensamos e agimos com as emoções e somos levados pelo entusiasmo, sem pensarmos se estamos a ser racionais e se um dia o arrependimento não vai fazer parte do nosso dia a dia.
Isto não vem a propósito de nada em especial, mas apenas porque na minha já longa e cansada vida fui confrontado, por mim próprio ou por amigos, com situações em que a desordem dos nossos sentimentos nos levaram a fazer o que não deveríamos ter feito.
Pelo menos pensamos que o não deveríamos ter feito
Não por sentirmos algum arrependimento, nunca nos devemos arrepender de nada, apenas devemos lamentar não termos sabido ser racionais e ter colocado o gozo e prazer pessoal, acima da racionalidade e do conforto do nosso comodismo.
É verdade e sei quem o fez, é meu amigo, que é loucura um dia apanhar um Avião e rumar à Argentina porque uns olhos negros e um cabelo da cor da noite o enredaram na loucura da paixão e do desejo. Mas se o não fizesse ficaria uma vida, uma existência, com uma lacuna por preencher.
Por isso o fez!
É certo que foram momentos de êxtase e de loucura, de paixão intensa, de momentos que morrerão com quem os gozou.
É sabido que quem os teve e os aproveitou, ainda, muitas vezes adormece embalado pelo subtil deslumbramento de instantes únicos de paixão arrebatada nos braços de um fogo latino, intenso, profundo e perigoso.
Quem os teve nunca os irá esquecer e, decerto nunca os irá renegar.
Mas que foi uma loucura foi, nunca duvidei.
Mas admiro a coragem.
terça-feira, 3 de março de 2009
Um Cupido....

Há sensações que nos acompanham para a vida.
Há momentos que passam a fazer parte de todos os outros momentos.
Nunca poderemos esquecer umas mãos de veludo que nos acariciam, uns lábios húmidos de desejos que devoram os nossos em arroubos de prazer e desejo.
Nunca poderemos votar no esquecimento o concretizar dos nossos desejos, de poder beber a volúpia dos olhos que mais desejamos, da companhia que nos aquece, do abraço que nos deixa com a sensação de que apenas nós somos todo o Mundo.
O não concretizar dos nossos anseios é como caminhar de olhos vendados, sem horizonte e sem destino.
Andar suspirando, mordidos pelos dentes dum ciúme que nos devora é como não estar, como não existir, como viver uma existência que não existe.
Fico triste pelos que sofrem, mas compreendo os que nada podem fazer, mas tentam.
Sei que é difícil dividir, que é impossível saber o certo e o racional.
Somos humanos e o coração por vezes tem que esperar.
Quando leio amores incompreendidos, ou antes, amores não correspondidos fico um pouco com a sensação de uma amargura, de uma angústia, de uma frustração.
Fico com pena de não ser um Cupido.
Fico triste por não saber ser a solução.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Carnaval......

Apareceu do nada, de repente, como se ali sempre tivesse permanecido.
Tinha um nariz cómico, de ponta arredondada tal como a bola que os palhaços costumam colocar.
Os olhos eram duas esferas que giravam constantemente em todas as direcções, como os dos camaleões.
Era um pouco grotesco e insólito na maneira como estava vestido. Roupas ás tiras coloridas com pequenos guizos nas pontas. Rodopiava deixando no ar a musica daquela profusão de adornos musicais.
Fiquei amedrontado.
-Amigo, apareces assim desta forma que até assustas as pessoas!
Sorriu, num esgar de dentes brilhantes.
-Não me conheces? Chegou o meu momento. Agora é tempo para eu brilhar.
-Mas quem és tu? Estranho, extravagante, cómico e irreal?
-Vê-se bem que andas arredado do Mundo. Andas distraído? Eu sou a esperança!
-Mas, não compreendo esse teu ar tão cómico!
-Tem que ser assim, tenho que me distinguir dos que andam disfarçados. Dos falsos,
dos hipócritas, dos aduladores. Eu estou como sou, os outros andam dissimulados.
Depois dançou num frenesim.
Rodopiou fazendo ouvir todos os sons que lhe enfeitavam o fato.
Fui obrigado a sorrir.
Já valeu a pena.
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