Programámos a saída para as 8 da manhã, saímos às 10, os habituais atrasos das mulheres.
Rumámos a Porto Covo à procura da tranquilidade das tardes calmas desta vila. Foram três dias de pura ociosidade, com umas idas à praia ao entardecer, quando o Sol já não deixa marcas no corpo. Ficávamos até o astro desaparecer num horizonte avermelhado, prenúncio de mais um dia de calor intenso.
Ao fim do dia íamos até ao Café Marques beber a bica e acabávamos a noite lambuzados por um gelado, daqueles que engordam mesmo... mas que nos sabem tão bem. Férias são férias.
Depois, como que num regresso às origens e numa procura do alento que nos alimenta a alma, nos conforta o espírito e nos acalma as saudades fomos ao Alentejo profundo, aos recônditos de uma província esquecida.
Foi uma travessia por entre os raios de um Sol abrasador que tornava a estrada um tapete luzente e cheio de reflexos. Paramos em tudo onde os líquidos frescos pudessem mitigar esta secura que se apoderava de nós.
Finalmente Amareleja, terra parada no tempo, onde o sossego só é quebrado por alguma mosca entediada que teima em nos azucrinar a paciência.
Amareleja, vila perdida na imensidão do nada, onde o calor fustiga de forma tão intensa que até as próprias aves que se afoitam a cruzar o espaço caiem numa agonia de morte.
Quando a tarde ia esmorecendo os raios de calor, continuámos até Sobral d’Adiça, pequena aldeia empoleirada na serra do mesmo nome. Ruas desertas. Só à porta de alguma taberna, mais fresca, alguns homens olhavam curiosos para quem se atrevia a bulir com a calma de uma tarde quente.
Foi apenas uma passagem na tentativa de descobrir um mistério que anda comigo, que faz parte de mim. Mas... ainda não foi desta.
O dia estava a acabar e o nosso apetite leva-nos até Safara, ao Restaurante Arcada. Para mim é poiso obrigatório. Pelo telefone já tinha encomendado o Ensopado de Borrego, nem todos quiseram, mas eu não dispenso. Estava, como sempre, divinal.
Fomos pernoitar a Santo Aleixo da Restauração, pequena aldeia onde o tempo parou, mas que me enche de tão boas e gratas recordações. Só me apetece fechar os olhos e ficar numa letargia que me retempere.
No dia seguinte, depois de um pequeno-almoço diferente, com um pão próprio, um queijo especial, umas “popias” alentejanas e uns bolinhos folhados com gila, deixámos já com saudades, este pequeno pedaço do passado e continuamos para a derradeira fase destas curtas férias.
Que me perdoem os que se arvoram na defesa do “faça férias em Portugal”, mas os hábitos, os preços e as condições levam-me a outras paragens, tão próximas e tão diferentes.
Punta Umbria foi o destino seguinte.
Magnifica, feita para o turismo. Imensos quilómetros de praias com dunas de areias douradas, mar calmo, duma tranquilidade que convida e com águas com uma temperatura que corpo agradece.
De manhã partíamos à descoberta, para a tarde escolhemos a Praia de La Bota. Porque? Calhou, gostamos de uma praia isolada entre pinhais, dunas de areia fina, águas quentes.
Havia muita gente, mas pela dimensão não se notava.
Ficávamos até que o Sol mergulhava, também, na quietude do mar.
À noite perdíamo-nos na multidão, no marisco fresco, nas “cañas” geladas e nas conversas até que o sono nos vencia.
Agora olho para os papéis que esperam por mim, para o computador que hiberna até que lhe carregue no botão.
Adeus férias, voltemos ao trabalho

