sábado, 28 de maio de 2011

Nostalgia....





Talvez seja tristeza ou solidão...

Ou sonho perdido no tempo...

Longo invisível e angustiado...

Triste, oculto e torturado...

Sino que tange escondido...

Num pensamento dormente...

Amargurado e esquecido...

Ser outro.... ser alguém...

Acordar num tempo longínquo

...Numa metamorfose

...leve, flutuando...

Despertar da penumbra...

Como se a sombra fosse luz...

Partir em suave prazer...

...Morrer devagar...

...Como se não fosse.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu tenho um sonho......





Eu vivo com papéis, eu sonho com papéis, eu estou farto de papéis.

Quero-me libertar, quero ser livre.

Quero ir de férias sem pensar no monte que se irá acumular.

Quero ir para a cama sem levar na cabeça todos os que na minha secretária esperam por mim.

Estou atulhado de facturas, de débitos, de créditos, documentos bancários e de tantos outros que a burocracia inventou.

Estou farto de SNC, AAA, CIRC, NCRF, PCGA, IVA, IRS, IRC, CC-ME e de uma infinidade de acrónimos que me azucrinam a cabeça..

Estou cheio de relatórios, réditos, imparidades, activos biológicos e tudo o que os rodeia.

Estou cansado de balancetes, extractos, contas-correntes, balanços, actas e todas as, outras merdas, que me dilaceram o pensamento, me corroem a tranquilidade.

Eu quero fazer, com todos os meus papéis, uma pira que me liberte, um fogo em que os possa imolar um a um, metodicamente, sadicamente, gozando deliciado toda a labareda que os consume.

Quero ver os meus olhos rebrilharem com a luz da chama que os vai aniquilando e os transforme em espirais de fumo, em rolos esfiapados que se diluem no espaço.

Quero dançar sobre as cinzas libertadoras, pular de alegria e ser livre
finalmente!





domingo, 22 de maio de 2011

Lembranças? Talvez nostalgia!





Eu sei que a vida se dilui como areia a escorrer por entre os dedos;

Sei que o tempo que foi ficará, para sempre, esquecido nas recordações;

Sinto que os momentos que não morrem são fugazes lembranças abandonadas;

Destino perdido nas recordações de vidas que não são mais vidas;

Tristezas que maculam bem fundo. Estigmas que mordem;

Agonias que martirizam como grilhetas cravadas na carne viva;

Sentimentos perdidos em ocultas lembranças guardadas na memória;

Gritos abafados pela rouquidão de uma garganta cansada;

Desabafos abandonados no escárnio do desabrigo de memórias perdidas;

Glória, vã glória na inutilidade do que queremos ser mas não somos;

Luta insana na conquista do inconquistado passado;

Arrependimento do que não foi e do que poderia ter sido.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Outeiro dos milagres....






Uma amiga, que muito prezo, escreveu um dia:
Gosto como escreves, ainda vou pegar uma fase feliz sua...com finais mais felizes...

Para ti tentei este que espero que não o aches triste.








-Já viu amigo Jeremias aqueles moços que parecem iguais?

-Então amigo Meireles são gémeos, são os netos do Caga-Azeite. Aqueles rapazes são fruto de um milagre.

-Milagre?

-Sim milagre. A Isabelinha casou com um moço da Guarda Republicana, bom rapaz por acaso, e queriam á força ter um filho e nada. Até foram ao médico, mas a rapariga continuava seca como um carapau. Foi ai que alguém se lembrou de lhe dizer para ir ao Outeiro dos Milagres. Eles foram e o resultado está á vista.

-Conte lá isso melhor que eu não entendi nada.

-Então aqui vai. Dizem os mais antigos que quem tem algum problema para resolver e não consegue, deve ir ao Outeiro e levar uma enfusa de água que deixa ao luar. De hora a hora, conforme os casos, bebe um copo ou faz banhos com essa água. Dizem, eles, que se conseguem resolver todos os problemas.

-Custa a crer.

-Já sabe de um caso que até parece que foi lá resolvido. Até dizem, alguns, que os catraios foram lá feitos. É o que se diz.

-Aconteceu homem. É uma coincidência.

-Coincidência nada, há mais. O filho do tio Zé da Velha tinha um problema nas virilhas. O rapaz não se dava conta com a comichão e as borbulhas que o apoquentavam noite e dia. Correu médicos e mais médicos. Experimentou todas as mesinhas, unguentos, poções e nada. O moço andava desesperado e até evitava arranjar namorada com a vergonha. Foi ao Outeiro, levou a água que pôs numa bacia ao luar e de hora a hora foi lavando as partes. Foi milagre, está curado, nunca mais teve problemas. Até já arranjou namoro com a filha do Lino Coveiro.

-Estou a ficar admirado.

-Vou-lhe contar mais uma. A Joana, filha da Alzira Coxa, nasceu-lhe uma coisa ruim na barriga. A rapariga andava descorçoada, até foi ao Hospital na cidade, onde a queriam operar. Mas não lhe prometiam nada, pois só depois de a abrirem podiam saber o que tinha. A mãe não se conformou e levou á rapariga ao Outeiro. Passaram lá a noite a por pachos com a água que estava ao luar, foi remédio santo. No outro dia, ouviu-se um estrondo e pum, aquilo rebentou e encheu um balde de porcaria. Ficou curada.

-Se não fosse você a contar eu não acreditava, mas assim nem sei que dizer.

-Passe bem amigo Jeremias!

********

-Então caro Meireles que cara é essa?

-Sabe aquilo que me contou ontem sobre o Outeiro dos Milagres? Pois quando deixei o amigo, fui a casa, peguei na minha Perpétua, num garrafão de água e numa bacia e pimba, fui a caminho do alto. Deitei a água na bacia que ficou ao luar. De hora a hora obriguei a mulher a lavar a cara com a água. Contrariada mas lá foi fazendo o que lhe disse.

-Então homem, qual era o problema da patroa?

-O problema, então não a conhece?

-Conheço e bem.

-Pois como pode ver não houve milagre nenhum. Foi feia e só não voltou pior, porque mais feia não se pode ser.

-Valha-me Deus


sábado, 14 de maio de 2011

Mulheres!!!!!





O meu telemóvel não costuma tocar tão cedo. Quem poderá ser a esta hora?

-És tu João? Que te deu hoje para seres tão matinal?
Ok, está bem, se precisas falar comigo lá estarei. No café as 3 horas. Está certo?

Pontualmente às 3 horas o João entrou com um ar diferente do habitual. O sorriso pronto estava transformado num esgar tão triste que era confrangedor. Aquele olhar vivo que nos contagiava não era mais que uma pálida imagem de desalento.

-Que se passa João, nunca te vi assim tão em baixo. Olhou-me com um sorriso amargurado e foi-se sentando à minha frente.

-Sabes Eduardo a minha vida mudou, penso que a Susana me anda a enganar com alguém.

Senti um baque e de certo que o meu rosto mudou de cor.

-Porque dizes isso João? Tens alguma coisa que te leve a pensar assim?

-É o comportamento. Não é a mesma, evita-me e quando a procuro está sempre cansada. Está diferente.

-Se calhar está mesmo cansada, não comeces a arranjar um filme na tua cabeça.

-Não Eduardo conheço a minha mulher. Há qualquer coisa. Ou tem outra pessoa ou, então, já não gosta de mim.
Vim falar contigo, és nosso amigo e a Susana tem muita confiança em ti e ouve muito bem o que lhe dizes. Fala com ela e tenta saber o que se passa. Sabes que eu faço tudo para a fazer feliz. Vá lá fala com ela. Fazes esse favor ao teu amigo?

Como entrou saiu, ombros caídos e parecendo arrastar o peso do mundo.

Peguei no telemóvel para ligar á Susana, mas não sabia bem como começar a conversa. O assunto era delicado e eu não estava muito á vontade.
Mas tinha que ser!

-Olá Susana, Estás só? Não, não é isso. É grave, é muito grave mesmo. O João anda desconfiado contigo, não nos podemos encontrar mais. Foi bom e vou ter muitas saudades tuas, mas temos que nos afastar. Vá, volta a conquistar o teu marido.

Desliguei, assobiei baixinho a malagueña e segui o meu caminho.

Mulheres!!!


sábado, 7 de maio de 2011

Saudades e lamentos….




As religiões são como os pirilampos, só brilham no escuro (desconhecido)



Eu acreditava. Seguia todos os passos que a cartilha me ensinara. Era medroso na fé que me incutiam. Cumpria com todas as estafadas regras de uma Igreja caduca que ainda vive agarrada a ideias já há muito ultrapassadas. Ia à missa, agradecia todas as refeições que EU ganhara. Rezava e pedia por tudo e por todos. Acreditava numa justiça divina, numa razão em que os bons seriam sempre lembrados, sem esquecer que os maus eram filhos do mesmo Deus. Vivi muitos anos agarrado a esse Deus que tudo me prometia e que afinal tudo me tirou.

Pedi, implorei e ofereci a minha vida. Ninguém me ouviu, todos me abandonaram, fiquei só. Perdi a crença, esqueci a fé, reneguei a vida.

Hoje ando porque tenho que andar, vivo porque querem que eu viva. Deixei de sonhar, perdi o amanhã. Existo, tal como a Igreja, num passado que me vai devorando lentamente.

Viver sem fé e sem esperança é difícil. Viver só de recordações é doloroso.

Quando acreditava era feliz.

Roubaram-me a confiança, levaram-me a felicidade.

Hoje não acredito e sou infeliz.





terça-feira, 3 de maio de 2011

Os teus olhos





Quando teus olhos me olham
Não é fortuito o olhar,
Bem sei quanto me desejam
E tanto que me querem amar

Quando os teus olhos me olham
Da forma com tu fazes,
Eu sinto o que eles pensam
E de tudo que são capazes

Quando teus olhos me olham
Na voragem dos desejos,
Apenas os posso abafar
Com o calor dos meus beijos

Não sei se Deus o deseja
Se são as lágrimas qu’os molham,
Mas sinto seja o que seja
Quando os teus olhos me olham...