Encontraram-no no Beco do Escarumba, aspecto grotesco,
enrolado como uma trouxa, um fio de sangue a escorrer ao canto da boca e uma poça escura a empapar o sítio onde o braço esquerdo se encontrava enrodilhado.
Foram os rapazes, ao perseguirem uma bola, que toparam com tão macabro achado.
A polícia vedou o local, um beco sujo, frequentado pelos
consumidores de droga e pelas profissionais do sexo, o resto das pessoas evitavam passar nas proximidades. Em tempos este beco foi habitado por famílias envelhecidas que foram desaparecendo ficando, apenas, umas casas velhas ocupadas pelas ratazanas e pelos agarrados pelo vício.
enrolado como uma trouxa, um fio de sangue a escorrer ao canto da boca e uma poça escura a empapar o sítio onde o braço esquerdo se encontrava enrodilhado.
Foram os rapazes, ao perseguirem uma bola, que toparam com tão macabro achado.
A polícia vedou o local, um beco sujo, frequentado pelos
consumidores de droga e pelas profissionais do sexo, o resto das pessoas evitavam passar nas proximidades. Em tempos este beco foi habitado por famílias envelhecidas que foram desaparecendo ficando, apenas, umas casas velhas ocupadas pelas ratazanas e pelos agarrados pelo vício.
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Foi fácil identificar o cadáver, era o Zé Navalhas, muito conhecido nas tabernas da vizinhança.
Um pobre coitado que vivia às atenças da mulher e passava o dia na esperança dos copos que um e outro lhe iam pagando.
Um pobre coitado que vivia às atenças da mulher e passava o dia na esperança dos copos que um e outro lhe iam pagando.
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Nem sempre fora assim, mas uma doença que o deixou impotente, transformou de tal forma o modo deste homem, que se esqueceu da vida e se refugiou na bebida na tentativa de um entorpecimento, que o levou à total degradação.
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A mulher, Zefa Navalhas, quando foi procurada pela polícia não mostrou qualquer estranheza pelo marido não ter aparecido pois, disse, era muito normal ele ficar a curtir a bebedeira em qualquer recanto do bairro. Antes ainda o ia procurar e o tentava levar para casa, mas quando o fazia era mal tratada e acabava, sempre, por desistir.
Na véspera, confirmou ela, quando saiu de manhã para o trabalho ele dormia profundamente no sofá da sala, à noite não apareceu mas era tão natural que, pensou, que era um sossego, pois quando aparecia bebido era difícil de aturar.
Na véspera, confirmou ela, quando saiu de manhã para o trabalho ele dormia profundamente no sofá da sala, à noite não apareceu mas era tão natural que, pensou, que era um sossego, pois quando aparecia bebido era difícil de aturar.
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Agora jazia numa pedra fria da morgue, retalhado pelo bisturi hábil do médico legista.
Foi assassinado com um estilete agudo que lhe perfurou o coração e que, segundo o médico, lhe provocou morte imediata. A hora da morte era difícil de estimar, pois devido ao tempo quente o arrefecimento do corpo obrigava a prever um período mais alargado, pelo que podia ter acontecido entre as duas e as seis da manhã.
Foi assassinado com um estilete agudo que lhe perfurou o coração e que, segundo o médico, lhe provocou morte imediata. A hora da morte era difícil de estimar, pois devido ao tempo quente o arrefecimento do corpo obrigava a prever um período mais alargado, pelo que podia ter acontecido entre as duas e as seis da manhã.
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A polícia interrogou todos os companheiros e conhecidos do Zé que confirmaram o que já se sabia, que esteve todo o santo dia, na taberna do André Garoto, emborcando os copos que os amigos iam pagando.
As dez da noite o André fechou a tasca e o Zé saiu aos repelões para a calor da noite, estava tão bêbado como de costume, não por ter bebido demais, mas neste estado, não precisava de muito para ficar numa triste figura.
Zefa trabalhou todo o santo dia, chegou a casa às nove da noite, o que foi confirmado pela vizinha do lado, Dona Odete, que lhe chegou mesmo a falar.
As dez da noite o André fechou a tasca e o Zé saiu aos repelões para a calor da noite, estava tão bêbado como de costume, não por ter bebido demais, mas neste estado, não precisava de muito para ficar numa triste figura.
Zefa trabalhou todo o santo dia, chegou a casa às nove da noite, o que foi confirmado pela vizinha do lado, Dona Odete, que lhe chegou mesmo a falar.
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Os rapazes, que por vezes se atreviam durante o dia, nunca mais se aproximaram do beco, a que agora chamavam Beco do Navalhas.
A Junta de Freguesia espera verbas para desactivar esse local e construir um centro de dia mas, isso só quando tiver fundos coisa, que segundo o povo irá acontecer no dia de são nunca à tarde.
A Junta de Freguesia espera verbas para desactivar esse local e construir um centro de dia mas, isso só quando tiver fundos coisa, que segundo o povo irá acontecer no dia de são nunca à tarde.
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Zefa mudou totalmente a sua vida, trabalhava na mesma, mas agora tinha um homem que a ajudava e a fazia resfolgar na cama.
Pela primeira vez, desde que era adulta, que ia de férias com o seu companheiro, Fedor Soestrova, um ucraniano que trabalhava na padaria onde todos os dias ia comprar o pão para a patroa.
Na verdade já o conhecia há muitos meses e, mesmo quando o Zé era vivo, já se entendiam muito bem, aliás pensava ela, se um não come que coma o outro, antes que se estrague.
Estava feliz, por vezes lembrava o pobre coitado mas ela não tinha culpa porque foi ele que escolheu o próprio destino.
Agora iam passar uns dias com a tia Inácia, que tinha uma casa perto da praia, e que os convidou pois queria conhecer o novo homem da sobrinha.
Estava a fazer as malas e não conseguiu abrir o fecho de uma, foi procurar um alicate na caixa de ferramentas do Fedor, não viu nenhum mas, encontrou um picador grande e ferrugento manchado de tinta, vermelha escura, já muito seca.
Não era o ideal mas serviu perfeitamente para abrir a mala.
Pela primeira vez, desde que era adulta, que ia de férias com o seu companheiro, Fedor Soestrova, um ucraniano que trabalhava na padaria onde todos os dias ia comprar o pão para a patroa.
Na verdade já o conhecia há muitos meses e, mesmo quando o Zé era vivo, já se entendiam muito bem, aliás pensava ela, se um não come que coma o outro, antes que se estrague.
Estava feliz, por vezes lembrava o pobre coitado mas ela não tinha culpa porque foi ele que escolheu o próprio destino.
Agora iam passar uns dias com a tia Inácia, que tinha uma casa perto da praia, e que os convidou pois queria conhecer o novo homem da sobrinha.
Estava a fazer as malas e não conseguiu abrir o fecho de uma, foi procurar um alicate na caixa de ferramentas do Fedor, não viu nenhum mas, encontrou um picador grande e ferrugento manchado de tinta, vermelha escura, já muito seca.
Não era o ideal mas serviu perfeitamente para abrir a mala.
Ai os homens, pensou, são todos o mesmo, servem-se das ferramentas e depois guardam tudo sem limpar.





