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segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Outeiro dos milagres....






Uma amiga, que muito prezo, escreveu um dia:
Gosto como escreves, ainda vou pegar uma fase feliz sua...com finais mais felizes...

Para ti tentei este que espero que não o aches triste.








-Já viu amigo Jeremias aqueles moços que parecem iguais?

-Então amigo Meireles são gémeos, são os netos do Caga-Azeite. Aqueles rapazes são fruto de um milagre.

-Milagre?

-Sim milagre. A Isabelinha casou com um moço da Guarda Republicana, bom rapaz por acaso, e queriam á força ter um filho e nada. Até foram ao médico, mas a rapariga continuava seca como um carapau. Foi ai que alguém se lembrou de lhe dizer para ir ao Outeiro dos Milagres. Eles foram e o resultado está á vista.

-Conte lá isso melhor que eu não entendi nada.

-Então aqui vai. Dizem os mais antigos que quem tem algum problema para resolver e não consegue, deve ir ao Outeiro e levar uma enfusa de água que deixa ao luar. De hora a hora, conforme os casos, bebe um copo ou faz banhos com essa água. Dizem, eles, que se conseguem resolver todos os problemas.

-Custa a crer.

-Já sabe de um caso que até parece que foi lá resolvido. Até dizem, alguns, que os catraios foram lá feitos. É o que se diz.

-Aconteceu homem. É uma coincidência.

-Coincidência nada, há mais. O filho do tio Zé da Velha tinha um problema nas virilhas. O rapaz não se dava conta com a comichão e as borbulhas que o apoquentavam noite e dia. Correu médicos e mais médicos. Experimentou todas as mesinhas, unguentos, poções e nada. O moço andava desesperado e até evitava arranjar namorada com a vergonha. Foi ao Outeiro, levou a água que pôs numa bacia ao luar e de hora a hora foi lavando as partes. Foi milagre, está curado, nunca mais teve problemas. Até já arranjou namoro com a filha do Lino Coveiro.

-Estou a ficar admirado.

-Vou-lhe contar mais uma. A Joana, filha da Alzira Coxa, nasceu-lhe uma coisa ruim na barriga. A rapariga andava descorçoada, até foi ao Hospital na cidade, onde a queriam operar. Mas não lhe prometiam nada, pois só depois de a abrirem podiam saber o que tinha. A mãe não se conformou e levou á rapariga ao Outeiro. Passaram lá a noite a por pachos com a água que estava ao luar, foi remédio santo. No outro dia, ouviu-se um estrondo e pum, aquilo rebentou e encheu um balde de porcaria. Ficou curada.

-Se não fosse você a contar eu não acreditava, mas assim nem sei que dizer.

-Passe bem amigo Jeremias!

********

-Então caro Meireles que cara é essa?

-Sabe aquilo que me contou ontem sobre o Outeiro dos Milagres? Pois quando deixei o amigo, fui a casa, peguei na minha Perpétua, num garrafão de água e numa bacia e pimba, fui a caminho do alto. Deitei a água na bacia que ficou ao luar. De hora a hora obriguei a mulher a lavar a cara com a água. Contrariada mas lá foi fazendo o que lhe disse.

-Então homem, qual era o problema da patroa?

-O problema, então não a conhece?

-Conheço e bem.

-Pois como pode ver não houve milagre nenhum. Foi feia e só não voltou pior, porque mais feia não se pode ser.

-Valha-me Deus


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Outeiro dos Milagres.



-Já viu amigo Jeremias aqueles moços que parecem iguais?

-Então amigo Meireles são gémeos, são os netos do Caga-Azeite. Aqueles rapazes são fruto de um milagre.

-Milagre?

-Sim milagre. A Isabelinha casou com um moço da Guarda Republicana, bom rapaz por acaso, e queriam á força ter um filho e nada. Até foram ao médico, mas a rapariga continuava seca como um carapau. Foi ai que alguém se lembrou de lhe dizer para ir ao Outeiro dos Milagres. Eles foram e o resultado está á vista.

-Conte lá isso melhor que eu não entendi nada.

-Então aqui vai. Pensam os mais antigos que quem tem algum problema para resolver e não consegue, deve ir ao Outeiro e levar uma enfusa de água que deixa ao luar. De hora a hora, conforme os casos, bebe um copo ou faz banhos com essa água. Dizem, eles, que se conseguem resolver todos os problemas.

-Custa a crer.

-Já viu um caso que até parece que foi lá resolvido. Até dizem, alguns, que os catraios foram lá feitos. Mas é o que se diz.

-Aconteceu homem. É uma coincidência.

-Coincidência nada, há mais. O filho do tio Zé da Velha tinha um problema nas virilhas. O rapaz não se dava conta com a comichão e as borbulhas que o apoquentavam noite e dia. Correu médicos e mais médicos. Experimentou todas as mesinhas, unguentos, poções e nada. O moço andava desesperado e até evitava arranjar namorada com a vergonha. Foi ao Outeiro, levou a água que pôs numa bacia ao luar e de hora a hora foi lavando as partes. Foi milagre, está curado, nunca mais teve problemas. Até já arranjou namoro com a filha do Lino Coveiro.

-Estou a ficar admirado.

-Vou-lhe contar mais uma. A Joana, filha da Alzira Coxa, nasceu-lhe uma coisa ruim na barriga. A rapariga andava descorçoada, até foi ao Hospital na cidade, onde a queriam operar. Mas não lhe prometiam nada, pois só depois de a abrirem podiam saber o que tinha. A mãe não se conformou e levou á rapariga ao Outeiro. Passaram lá a noite a por pachos com a água que estava ao luar, foi remédio santo. No outro dia, ouviu-se um estrondo e pum. Aquilo rebentou e encheu um balde de porcaria. Ficou curada.

-Se não fosse você a contar eu não acreditava, mas assim nem sei que dizer.
Até amanhã, passe bem amigo Jeremias.

-Então amigo Meireles que cara é essa?

-Sabe aquilo que me contou ontem sobre o Outeiro dos Milagres? Pois quando deixei o amigo, fui a casa, peguei na minha Perpétua, num garrafão de água e numa bacia e ala, fui a caminho do alto. Deitei a água na bacia que ficou ao luar. De hora a hora obriguei a mulher a lavar a cara com a água. Contrariada mas lá foi fazendo o que lhe disse.

-Então homem, qual era o problema da patroa?

-O problema, então não a conhece?

-Conheço e bem.

-Pois como pode ver não houve milagre nenhum. Foi feia e só não voltou pior, porque mais feia não pode ser.

-Valha-me Deus

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Anda......

Anda, enxuga essas lágrimas que emolduram o teu rosto e vem sentar-te junto a mim.

Deixa que toda a tristeza que o teu coração encerra fuja do teu corpo, como a névoa se dilui com o calor do Sol.

Solta a tua Primavera e não deixes que um qualquer Outono venha estiolar a força que a natureza te deu.

Sente a força do teu querer e não deixes que a subtileza das palavras cerceiem a tua pujança num acomodar atrofiador, transformando um presente numa vida serôdia.

Anda, encosta a mim as tuas palavras, deixa fluir os teus lamentos.

Vem, as flores viçosas não devem definhar, tem que manter toda a sua frescura, tem que ser regadas com as palavras que alimentam.

Anda, senta ao pé de mim e conta tudo o que tens para me contar.

Enche os meus ouvidos dessas frescas gargalhadas, deixa que o cheiro da tua juventude seja mais forte que um querer que não se quer.

Anda.

Vem, não tenhas medo.

Estarei sempre aqui.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vou de Férias......






Dançar é como caminhar nas nuvens em alegres rodopios



Estive, há dias, a apreciar um grupo de jovens a dançar.

Era uma mistura de rapazes e raparigas. Não se sabia bem quem dançava com quem.

A dançar, diziam eles, pois o que eu vi foi apenas um ritual de movimentos desconchavados e sem qualquer ligação com aquilo a que chamamos, normalmente, dançar.

Um levantava o ombro direito, como se algo na roupa o estivesse a incomodar, enquanto na sua frente, o outro abanava a cabeça em tristes movimentos de rotação.

Uma das raparigas, parecia possuída de alguma desagradável comichão, pois o seu tronco, parecia coçar-se numa mão imaginária.

Havia, de facto, para todos os gostos. Desde os que abanavam um pé, como se quisessem confirmar que o mesmo ainda se encontrava agarrado à perna, enquanto outra rebolava as imensas nádegas num saracotear despropositado.

Todos com um ar absorto, alheios, como se não estivessem ali a abanar-se ao som de um tum...tum...tum....tum...que parecia não ter fim.

Lembrei-me, então, como antes era diferente o dançar. Agarrados num agradável amplexo, corpos cingidos num ritmo que nos embalava e conduzia.

Tempos modernos, coisas que me ultrapassam.

Mas que fazer quando se começa a ser coroa.

Que saudades!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um grito....


Deixem-me pensar que ainda ando como andava nos tempos em que a felicidade era minha companheira.

Em que corria com a alegria estampada no rosto e em que as rugas não faziam, ainda, parte do meu ser.

Em que a felicidade era tão comum que nunca pensei que não houvesse felicidade.

Deixem-me pensar que um dia me deito e que acordo num tempo que era o meu e em que a luz, ainda, fazia parte do meu ser.

Acordar numa época em que não vivia nesta escuridão, nestas trevas em que de repente me deixaram.

Quero voltar a sentir no peito a alegria da realização.

Quero imaginar que nada aconteceu, que vivo o pesadelo de uma vida desgraçada, mas que um dia acordo e nada era verdade.

Que apenas a minha tão pródiga imaginação me tinha atraiçoado.

Deixem-me lançar o meu grito de revolta, mas não o escutem.

Deixem-me arrastar o que me subsiste, mas não deixem que me levem o tão pouco que me resta.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Estou como o dia



Nos dias de chuva parece que a solidão mais facilmente toma conta de nós.
Olho pela minha janela e vejo o escuro do céu e a chuva insistente a tamborilar nos carros que, também solitários, se encontram abandonados na rua.
Um cão rafeiro passa apressado na procura de um refugio.
Uma ave perdida em ziguezagues procura um canto de uma árvore como o aconchego que a defenda da agrura do tempo.
Os meus olhos vagueiam na procura de um raio de sol que me aqueça o ânimo e me desperte para o dia.
A esperança, depressa, se desvanece pois as nuvens escuras que se perfilam no horizonte são o aviso do resto da borrasca.
A tristeza do dia contagia a minha.
Nada mais há a fazer.
Apenas me sobra o trabalho.