terça-feira, 16 de junho de 2009

Entardecer...



Ao longe uma bola de fogo ia mergulhando num horizonte longínquo. As gaivotas ensurdeciam em redor dos barcos que calmamente voltavam da faina.

Maria Inês, deitada na sua toalha, não mostrava vontade de deixar a praia no final deste acalorado dia de verão.

Ao fundo, no imenso Oceano, a silhueta dos barcos davam uma imagem romântica a este entardecer dourado.

Inácio, esparramado na cadeira da esplanada do restaurante, fazia argolas com o fumo de um cigarro meio consumido.

Parecia olhar de forma casual a longa fila para o autocarro, onde os corpos moídos por um dia de calor intenso, se iam diluindo no interior do veículo, num acotovelar apressado e na ânsia de um lugar sentado.

Maria Inês parecia indiferente, mas era uma indiferença aparente pois os seus olhos estavam fixos na forma descontraída como Inácio fazia pequenas espirais de fumo.

Inácio parecia entediado na forma displicente como se fixava em tudo o que á sua volta girava, fixando de forma distante a paleta de cores que o entardecer deixava no horizonte longínquo.

Maria Inês não sabia o que fazer. Aquele homem toda a tarde a fixou de uma forma interessada. Ela sorrio, mais de que uma vez, na expectativa de um avanço, mas ele ou não percebeu ou a timidez não o deixou retribuir.

Achou-o muito atraente e com um charme diferente de todos os outros que enxameavam a praia. Tinha um olhar firme e confiante e a forma voluptuosa como a fixava podia ser a promessa de um princípio de algo muito interessante.

Agora ela estava ali, especada, na esperança que ele se decidisse a um sorriso, a um gesto, a uma palavra de avanço, mas Inácio, continuava absorvido no cigarro que lentamente se consumia entre o amarelado dos dedos.

Maria Inês começava a desesperar, quando Inácio se levantou. Calmamente abriu uma pequena bengala retráctil e, com gestos seguros, foi tacteando o caminho na procura da paragem do autocarro.


3 comentários:

AnaT disse...

Mto bonito! (essa Maria Inês devia ter era tomado a iniciativa...)

Filipinha disse...

Que dizer? Gosto das Histórias da Maria Inês mas esta está especial...

Ana Odete disse...

Que linda história.
:)