sexta-feira, 12 de julho de 2013

A escolha







Dona Matilde limpou as mãos ao avental, num gesto quase casual, tentou abafar a raiva mas não conseguiu, foi mais forte que ela e gritou:

-Ah filha de um chibo, se te ponho as mãos deixo-te sem conserto!

Rosinha ficou sem pinga de sangue, nunca pensou que a mãe fosse senhora para tamanha linguagem.

-Filha de um chibo!  Como podia dizer tal coisa, o defunto pai não era nada disso. Se fosse, então o que chamar à mãe?

Arranjou coragem e enfrentou-a:

-Então mãe é preciso essa linguagem e esses palavrões?

-Palavrões? Palavrões vais tu ouvir quando te puser as mãos em cima. Ou pensas que isto fica assim? Pensas que eu vou aturar essas modernices! Não te passe isso pela cabeça, prefiro ver-te num caixão!

-Oh mãe, não digas isso, Deus ainda te castiga! Choramingou Rosinha.

-Ouve rapariga, não venhas com lágrimas de crocodilo, não queiras apelar a sentimentos, porque isso é uma coisa que tu não tens, se os tivesses olhavas para o pobre do Hilário que parece um cão vadio, ofegante a seguir os teus passos, a beber as tuas palavras, a adivinhar os teus pensamentos. E tu, tu, minha cabra, miras e finges não ver! Olhas, aproveitas as benesses e nem uma festa na cabeça do pobre cachorro.

-Mas mãe não compreendes, a minha felicidade para ti não conta! E sabes mais? Prefiro que me vejas num caixão, nem irias sentir minha falta, mas posso garantir que não te vou dar esse prazer! Vou seguir a minha vida! Gostes ou não gostes! Se o pai fosse vivo, tenho a certeza que me ia compreender e dar-me a apoio que tu não me dás.

Matilde corou, parecia que lhe ia dar uma coisa má, enrolou as mãos no avental num gesto nervoso e gritou:

-Deixa o desgraçado do teu pai em paz! Porque se ele voltasse e visse, o que eu ando a ver, morria outra vez, e desta vez ia morrer feliz!

Rosinha empinou o nariz, limpou os olhos, empertigou-se naquele orgulho mascarada de altivez e bateu com a porta, enquanto ia sussurrando:

-Vou respirar para a rua, aqui só cheira a retrógradas, a velhas!

Saiu rápida, mas ainda sentiu um sapato a bater na porta, que acabara de fechar.

A mãe era para esquecer, antiquada, bota-de-elástico. Não tinha paciência para a aturar. Tentou, Deus sabe que sim.

Mas que havia de fazer, o raio da velha, não aceitava que a filha se tivesse apaixonado por outra mulher, mas estava decidida ia viver com a Clarisse.

Clarisse era a mulher da sua vida!






12 comentários:

quem és, que fazes aqui? disse...


Entendi...

Beijo

Laura

LUZ disse...

Olá, Manuel!

Como está?

Agradeço a sua visita e a sua "preocupação" com a menina do cabeçalho de um dos meus blogues. Olhe que, se calhar, ela já tem quem lhe ponha creme nas costas e no corpo todo, mas entendo perfeitamente, a sua vontade, ou melhor, a sua boa vontade. Só quer ajudar.

Não faço comentários, mas digo-lhe que, ou nascemos meninas, ou meninos, ou com ambos os sexos, hermafroditas, e depois com o apoio terapêutico, medicamentoso, psicológico, psiquiátrico e cirúrgico, escolhe-se o sexo mais desenvolvido, ou seja, aquele que dá à pessoa conforto natural.

Tudo o resto é contra natura.

Bom domingo.

Um beijo da Luz, com amizade.

LUZ disse...

oFFFFFFF: Entre nós: não Publicar, p favor!


Estive a ler todo o seu texto, no dia em k o publicou e desculpe, desde já, o k lhe vou dizer.

Há lá duas expressões que não devem ser escritas, publicamente, embora não sendo das mais graves: Moça de um ca.ão e Pu.a da velha.

O blogue é seu, e fará o k entender, mas nós somos ALENTEJANOS, e mesmo a linguagem masculina sendo mais aberta k a feminina, o k é natural, não ficam bem ali aquelas palavras, porque o Manuel é um homem de respeito.

Nenhum alentejano/a diz Pu.a da velha à mãe, nenhum/uma, só se não estiver no seu perfeito juízo. Qto à outra expressão, a mulher alentejana, usa-a mto, mas as outra mulheres não a entendem da mesma forma k nós, aliás, já tínhamos falado disso, até.

Portanto, sugiro, como se fosse um irmão meu, k na 1ª expressão retire o "b" e ponha um ponto e toda a gente fica a perceber, na mesma, e na segunda, substitua o pu.a por "raio" da velha.

Penso k me entendeu, perfeitamente. Não é ser púdica, é ser decente, honesta e o Manuel e eu, somos, com certeza.

Bom domingo.

Beijo.

AFRICA EM POESIA disse...

Manuel

tenho andado longe mas perto.os amigos sempre no meu coração não sei explicar porquê mas fazes parte desses amigos...no muito que nos liga o Sporting tem lugar especial
,tambem para mim esta caminhada tem sido dorida mas tenho o presidente em que acredito e confio que apesar de custar muito vamos conseguir ,nada se faz sem muito trabalho...


..................
flor de jasmim...


beijos saudades e...


....
E o mundo...
Assusta-me...
Sinto que ao meu redor
Tanto se sofre...
E gostava...
De ter uma varinha
Varinha de condão...
E ver toda a gente a sorrir...
.....................


vem aí livro novo a falar-nos no Amor,vais concerteza gostar.


beijos

LUZ disse...

ENTRE NÓS: NÃO PUIBLICAR, P FAVOR!

OFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF:

Então a "ÁFRICA EM POESIA" vai editar novo livro e escreveu no comentário concerteza, desta maneira? Aparece, de imediato, o risquinho vermelho, por baixo da palavra.
E não me venham dizer k antigamamente era assim. NUNCA foi. Eu estudei linguística do Português, onde entrava o latim, e NUNCA se escreveu assim.
Toda a gente escreve um livro, valha-me Deus!

Beijo.

LUZ disse...

Bom dia, Manuel!

Espero que esteja bem e feliz, embora não tenhamos sol, pelo menos, até agora.

Desejo-lhe, de todo o coração, um, bom domingo, e melhor semana, se possível, para si e para os seus.



Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver
Bago de arroz
Semente de linho
Suspiro de pássaro
Pedra de sal
Som de regato
A coisa mais pequena do mundo
A sombra do meu nome
O peso do meu coração na tua pele.


Rosa Lobato Faria


E com coração, me despeço.

Um beijo, de muita sinceridade e amizade.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Via com muito espanto, essas "escolha"...com o passar do tempo,passei a aceitar com muita naturalidade, esse tipo de relacionamento.
Interessante, a forma como descreveu a crônica. Bom domingo!
Um beijo, Manuel,
da Lúcia

Eduardina disse...

Pois...mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas todos procuram alcançar a felicidade...As suas histórias, que muito me agradam, reflectem essa viragem...

Mary disse...

Oi Manuel!

Cada um é responsável pelas suas escolhas, e pro bem ou pro mal fazem dela o que bem querem.

Opiniões contrárias sempre vêem, independente de qual escolha vc faça.

Fiquei super feliz com sua visita e comentário.
Sendo vc mestre em (contos)sua opinião me deixou emocionada!!

Bjo querido!!

SOL da Esteva disse...

Manuel, Amigo

Fico sem palavras para te Comentar. Não deveria ter começado "por cima".
Estou triste pelas escolhas (todas) porque a cada um cabe a sua (escolha).
Se sentires que podes escolher diferente...



Abraços




SOL

Vivian Fernandes de Goes disse...

Nossa!rsrs
Escrita perfeita, nem desconfiei do que viria!rs
Sempre me surpreendo com você, meu amigo e gosto muito!
Cada um cada um né?!melhor não julgar a vida do outro.Como me dizia minha vó: Cada um sabe onde lhe aperta o sapato!!rs
Beijos!
*Andei sumida por problemas com o blogger! O meu ficou louco. E não consigo arrumar!Que coisa!

AFRICA EM POESIA disse...

feliz






Amor
Palavra linda
Palavra simples
Palavra pequena
Apenas quatro letras

Mas quatro letras
Todas diferentes
E todas fortes

Amor tantas palavras
Tantas vezes usadas
Tantas vezes lidas
Tantas vezes gastas

Palavras que usamos
E sentimos que o Amor é mesmo
O único elo
Que move o mundo
Que nos rodeia
Por isso
Continuamos sempre
A viver o Amor!

LILI LARANJO