sábado, 19 de julho de 2008

A culpa é do B.I.




E não chego a saber se esta luz de oiro,
Que hoje me toca e me comove assim,
É deste Sol o íntimo tesoiro
Ou se é tesoiro que descubro em mim….
(Francisco Bugalho)




Tem que haver um responsável. As coisas não acontecem por acaso, há sempre uma razão.
Antes, não há muito tempo, quando me levantava erguia-me para mais um dia sem ter que esticar o corpo á espera que todos os elementos do meu corpo tomassem o seu lugar, que as dores se esquecessem e me abandonassem para mais uma jornada.
Descia as minhas escadas a duas e duas e chegava á rua ufano, fresco e descansado. Agora conto os degraus na esperança que me deixem chegar ao fim incólume e sem mazelas.
Ainda me lembro de olhar ao longe e, ver os contornos de um horizonte que se diluía no infinito, sem estreitar os olhos na esperança que, sendo umas fendas, possam adivinhar o que já não me deixam enxergar.
Devorava os carreirinhos de letras das páginas dos meus livros, sem ter que ajeitar os óculos, sem necessidade de esfregar o cansaço que os invadem com tanta frequência.
A música, minha companheira, entrava nos meus ouvidos. As melodias inebriavam o meu espírito, as letras embalavam-me.
Agora, de repente, sem avisos, sem explicações os meus ouvidos são contemplados com uma estranha estereofonia. Som irritante, agudo, sem melodia, sem ritmo.
Normal, diz o médico, cansaço, stress, desgastes.
Coisas do B.I., digo eu, E agora que o meu é perpétuo.
Que raiva!

1 comentário:

AnaT disse...

Que triste ideia essa dos BI perpétuos... mas não seremos nós tb assim para algumas pessoas com as quais temos a sorte de nos cruzar? E tem uma vantagem, qdo mostrar a foto daqui a 20 anos estará sp mais jovem!...;o) Viva a eternidade! Bjinhos