quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Requiem aeternam dona eis






Que se vão da lei da morte libertando...
(Camões)



Gostava de perpetuar em frases minhas a memória de um tempo.
Gostava, verdadeiramente, de ter a força e o engenho para deixar
para além de mim o tributo de um amor e de uma devoção.
Queria ser poeta e ter a magia das palavras para erguer um poema
que fosse a epopeia de uma vida.
Quem me dera poder talhar na pedra o vulto grande que me envolve,
pintar na tela a imagem de uma saudade que dói e que consome.
Poderia, talvez, ser trovador para levar por esse Mundo fora a cantiga
que tornasse imortal a dor que me oprime.
Quem nos governa nada me deu, apenas me deixou as lágrimas para verter,
um coração para albergar a saudade e o pensamento que me perturba e oprime.
De resto nada mais!
Esse Deus que muitos veneram e idolatram é apenas o refúgio para explicar o inexplicável.
È a desculpa para camuflar a dor e o infortúnio.
Esse Deus, a existir, não poderia ser tão cruel e impiedoso.
Não iria cercear a flor que está no apogeu da vida.
Não seria capaz de roubar a essência à existência, de escurecer a luz que nos ilumina,
de tirar a seiva que nos alimenta.
Como poderia ser tão injusto? Tão ilógico? Tão impiedoso?
Não posso crer em quem não me dá razão para acreditar.
Fostes tu, Deus, que assim me tornastes.
A culpa é tua!





1 comentário:

AnaT disse...

Pode ter a certeza que as suas palavras de certa forma ficam perpetuadas nos nossos corações! Porque é intemporal e inesquecível!