quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Pangolim, e as voltas da vida...





Já andei tanto nesta jornada da vida que o cansaço começa a mostrar quem manda.

Bem quero resistir, faço caretas, finjo, tento enganar mas não vale a pena.

Quando tento acelerar o passo, logo as pernas entram em contra-mão numa resistência ao esforço que lhe estou a pedir.

Quando nado, o que há pouco era apenas uma piscina, agora parece-me a travessia da mancha.

Não sei se vale a pena enganar os que giram na nossa órbita, mas a verdade é que não podemos mostrar a nossa fraqueza.

Enquanto parecermos fortes, conseguimos gravitar como seres normais.

No dia, em que aos olhos dos outros, mostrarmos as nossas fraquezas ficamos sujeitos as implacáveis regras da sociedade.

Eu continuarei a lutar numa enganadora tentativa de travar esta inominável marcha que o tempo trava contra mim.

Eu vou resistir, vou fingir que ouço bem, que os meus olhos são como os do lince e que etc. etc., tudo igual.

Vou tentar com arreganho enganar os outros enquanto, também, me vou enganando a mim próprio.

Mas vão perguntar a que propósito vem o pangolim?

Pois é, tal como os velhos, também são desdentados.

Só por isso.

3 comentários:

Filipinha disse...

Gosto tanto quando o Manuel anda inspirado e nos presenteia com textos tão bons!!

Ana Odete disse...

É andar enquanto as pernas deixam.
Sorrir muito.
Olhar ainda mais e apreciar tudo o que há de bom na vida.
Chegará o tempo em que não se poderá fazer nada disto mas se o já tivermos feito, já não importa.

AnaT disse...

Eu concordo parcialmente com a Ana Odete pq acho que em qualquer momento da nossa vido podemos não fazer alguams coisas mas podemos apreciar à mesma o que a vida tem de bom. E sorrir sempre!