terça-feira, 23 de março de 2010

Ab imo corde




Sinto no rosto o frio da noite, enquanto um desencanto se esvai nas espirais de fumo de um cigarro que arde no tédio de umas mãos frias.

Os pensamentos povoam a imensidão de um cérebro vazio, enquanto um chiar ensurdecedor enxameia os meus ouvidos.

A névoa que me tolda os olhos, apenas me deixa lobrigar as sombras ténuas de orgias de segredos que não consigo desvendar.

Os silêncios doem como estiletes no sabugo duma indiferença que me possui, como se o meu sentir fosse o sentimento de uma prostituta que se evapora em lascivos gestos de torpor.

Compreendo os que precisam do ácido que lhes aqueça os sentidos e lhes liberte os pensamentos.

Entendo o afogar, no álcool, das agruras da escuridão dos pensamentos que nos minam e nos possuem.

Aceito os que desistem de viver e se apagam num flash, na procura de uma escuridão que os liberte do desconforto de uma luz que oprime.

Compreendo, entendo e aceito do fundo do coração.


5 comentários:

Sonhadora disse...

Manuel
Quanta nostalgia, no teu belo texto...palavras que me dizem tanto.

Beijinhos
Sonhadora

AFRICA EM POESIA disse...

Manuel

Meu amigo senti Magia ...Afinal era mesmo o verde...
Nós que gostamos do verde somos...assim...


Beijos

AFRICA EM POESIA disse...

Manuel

Meu amigo senti Magia ...Afinal era mesmo o verde...
Nós que gostamos do verde somos...assim...


Beijos

Graça Paz disse...

Que lindo texto!Faz-me lembrar os quadros de Hooper!Parabens!Deixo aqui uma musica para acompanhar!
http://www.youtube.com/watch?v=o3D8Ri84hmw&feature=player_embedded#at=300

Gigi disse...

Senti cada palavra dos últimos quatro parágrafos deste post.
Há agora, também para mim, muita coisa que sei como é e muita coisa que aceito bem melhor que antes.

Sinto que devo agradecer-lhe o facto de ter escrito este post, Manuel:
Obrigada.