quarta-feira, 6 de julho de 2011

HAHAHEL




A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se...... (Declaração dos direitos da criança).





Apeteceu-me tirar a mochila, enche-la de sonhos, esperanças e ilusões.

Fazer-me à estrada.

Voltar ao passado, percorrer caminhos já antes trilhados.

Reparar os sonhos nunca antes realizados.

Pedir a Hahahel umas asas, sólidas para que o Sol, tal como às de Ícaro, não as derreter.

Estar outra vez contigo, luz dos meus olhos, ouvir a tua voz sábia e beber
avidamente tudo o que não tivestes tempo de me dizer.

Pegar e reparar os estilhaços de amores mal resolvidos.

Não ir trabalhar aos doze anos. Ir para a escola. Ir estudar.

Mano António queria chegar a tempo de impedir que qualquer Deus te levasse. Preciso de ti, mal te conheci mas sinto tanto a tua falta.

Encontrar uma mão que me levasse é escola e me libertasse de todos os fantasmas.

Ter Natais como todas as outras crianças, com doces e brinquedos.

Não ter medo do escuro, da noite, da solidão.

Ser um menino como os outros e saber sorrir.






5 comentários:

Vivian disse...

Olá,Manuel!!

Que lindo texto meu amigo!Tristeza mesclada com tanta ternura!!Fiquei emocionada! Impossível não ficar!
*Li um livro sobre anjos uma vez e pelo ano do nascimento mais o mês,etc...descobri que o meu se chamava Hahahel, sabes que fiquei muito surpresa quando li o nome do seu texto! Beijos pra ti, com respeito e admiração!

Magia da Inês disse...

。°✿

Amigo, você anda tão melancólico ultimamente... sinto falta do escritor instigante, digamos "sapeca" e super criativo.

Beijinhos.
Brasil


♫° 。✿

Jacque disse...

Lindo Poema, migo Manuel... Obrigada pela visita !

SOL da Esteva disse...

Manuel

Todo o Mundo adulto deveria ter Direito a poder ser criança de sonho, "fazer-se á estrada", voar, reviver o brilho dos olhos, agora mais esbatidos, reaprender a ouvir com avidez, reparar os estilhaços como se fossem um puzzle, não ter ido trabalhar quase bebé, ter aprendido na idade apropriada, ser presenteado pelo Natal, poder ter tido um sorriso como os demais meninos e, sobretudo, não sentir medo do escuro das incertezas.

Eu sou este menino/homem.
Confesso com a lágrima no canto do olho.

Não necessito de passadeira vermelha para entrar aqui, porque, quando nos sentimos em casa, entramos.

SOL da Esteva

acácia rubra disse...

Às vezes interrogo-me sobre a oportunidade do tempo / altura em que nascemos, em que crescemos.

Se pudesse escolher, também me interrogo, se o faria agora...

E se me fosse dada, agora, a possibilidade de renascer, de voltar a ser criança, escolheria com todo o cuidado um país, que me deixasse construir sonhos e vivê-los...

Beijo