sábado, 12 de abril de 2008

Isso nunca.....






Que me importa que ele seja o meu melhor amigo, que me interessa se ele aceita todas as minhas madurezas sem queixumes, as minhas indisposições, os meus maus humores e até tolere sem azedumes as minhas injustiças.
Eu sei que por vezes sou pouco tolerante e que não o trato como ele merece, pois afinal é o meu melhor e mais fiel amigo, mas há limites para tudo e o que ele fez dificilmente lhe posso perdoar.
Gritei, chamei-lhes os nomes que me vieram à cabeça e só não lhe bati porque detesto a violência, porque senão tinha levado e não eram poucas.
O que fez à minha vizinha não é tolerável. Ela, de facto, é antipática e é muito difícil gostar dela. Jugo que no prédio ninguém a tolera. Gorda, indisposta, azeda e com um rol diário de queixas dos outros vizinhos que confrange. Ou porque entraram tarde e fecharam a porta fazendo barulho, ou porque tinham a televisão alta, ou porque andaram de sapatos e o ruído a não a deixava dormir.
Tudo a incomoda, calculem que um dia me ralhou porque na véspera não houve barulho na minha casa e, ela ficou preocupada porque o silêncio podia ser por que nos aconteceu algo.
Imaginem é difícil aturar alguém assim e, até certo modo compreendo que o Serafim andasse as avessas com a Dona Ofélia, mas tudo tem limites.
È verdade que ela passa por ele nas escadas desconhecendo-o totalmente e isso, o Serafim detesta.
Fui obrigado a ser bruto e, agora, vejo-o na ponta do sofá olhando para mim de lado, a espera que eu continue com a má disposição ou que mostre que já me passou e que o assunto está esquecido, mas eu não lhe vou perdoar por enquanto.
Sou tolerante quando o devo ser e sou muito exigente na educação e no respeito pelos outros.
Não tenho a mínima dúvidas que é o meu maior amigo, sempre pronto, sempre a meu lado, adivinhando os meus desejos e capaz a dar a vida, se necessário, por mim.
Tudo isso reconheço mas que estou chateado estou.
Onde se viu alçar a pata e mijar nas pernas da Dona Ofélia.
Só o meu cão para fazer uma coisa destas.