segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Recordações.....


Li duas belas mensagens sobre a Saudade e fiquei receoso de abordar o mesmo tema. Não porque as minhas queridas amigas “virtuais”, se pudessem importar. Sei que não!
Mas pelo o que a questão encerra.
É difícil para quem vive a saudade de uma forma tão intensa, para quem a saudade são todos os momentos, ser capaz de falar de saudades.
As saudades, para mim, são recordações, são momentos inapagáveis que me povoam e me dão a força que encontro, nem sei bem onde, para continuar a sorrir por fora e a manter as lágrimas bem dentro de mim.
Não é fácil e por vezes as resistências vergam e batem bem no fundo.
É a força do motivo das minhas saudades que, outra e outra vez, me trás à tona e me dá as resistências que me são necessárias até ao dia em que não precise mais delas.
São os momentos do passado em que, com alegria respondia ao desafio, e calcorreávamos as ruas desta Lisboa na procura de um pequeno-almoço especial de torradas, bacon estaladiço e dois apetitosos ovos estrelados, acompanhados de uma grande chávena de café.
Era díficil mas sempre o conseguimos, mesmo depois de uma caminhada, a pé, da Ajuda até à Baixa.
Que alegria voltarmos de braço dado, felizes, não pelo pequeno-almoço, mas pelo momento, pelo cumplicidade, pela força que nos motivava.
E as nossas noites de pesca que só acabavam ao raiar da manhã, quando o nosso, farto, farnel chegava ao fim.
Quase nada pescávamos, mas que interessa isso se o objectivo era o conforto da companhia, do companheirismo e das belas noites de conversa.
Os longos caminhos percorridos, as férias em Santa Cruz, as tardes na piscina do Vimeiro, os Domingos sofridos no Estádio José Alvalade.
Quando ganhávamos íamos festejar para O Paco, quando perdíamos íamos afogar as mágoas nas imperiais do Paco.
São tantas e tantas recordações, de saudades, que o engenho me falta.
Um dia, há tantos anos, uma onda arrastou-nos numa praia da Costa da Caparica, lutamos e perdemos as forças. Eu quis desistir, mandei-te embora. Como me lembro das tuas palavras, ou vamos os dois ou ficamos os dois. Fomos, conseguimos, e eu hoje estou aqui.
E quando de repente dizias, vamos a Évora comer uma açordinha?
São estas recordações, mais que saudades, que me tem dado as forças suficientes para me sobrepor à loucura.
Tem sido a coragem que aprendi com quem comigo aprendeu a vida, que me dá a resistência para estar aqui.
Vou continuar a viver nestas recordações que me povoam e me animam. Que me alimentam. Que são minhas. Só minhas.


5 comentários:

AnaT disse...

Não sei o que lhe dizer... mas fiquei de lágrima a querer teimosamente sair!... Bjinhos!

Filipinha disse...

sem palavras...

"Os longos caminhos percorridos, as férias em Santa Cruz, as tardes na piscina do Vimeiro, os Domingos sofridos no Estádio José Alvalade.
Quando ganhávamos íamos festejar para O Paco, quando perdíamos íamos afogar as mágoas nas imperiais do Paco."

Férias em Santa Cruz... Praia de Porto Novo. O Vimeiro e a sua Piscina onde passei tantas férias. A Pensão Ludovino e o Hotel Golfmar...
O velhinho estádio de Alvalade, seguir para a Av. de Berna, para a Paco...

Caro Manuel, de certeza que já nos cruzámos por aí.

Um grande beijinho

Manuel disse...

Quem sabe. Possivelmente já tive essa felicidade.

Luis disse...

Meu Amigo, as saudades tal como o nosso Sporting são eternas. Mas a vida e o tempo não param. Por tal devemos continuar a viver intensamente para podermos continuar a sentir outras saudades.
Um Abraço Leonino.

Manuel disse...

Amigo Luis,
Obrigado pelas suas palavras estimulantes e reconfortantes.
Um abraço de Leão, hoje, vencedor.
Manuel