sexta-feira, 20 de março de 2009

As fantasias de um sonho......



De verdade eles amavam-se, mas era uma relação amorfa, sem motivações, sem aventura, sem aqueles momentos em que o primitivo e o preconceituoso deixam de fazer parte da realidade.
Seguiam as regras de uma cartilha ultrapassada e desactualizada. Faziam amor como se fosse uma rotina obediente a cânones antigos e estafados. Sem chama, sem rasgos.
Era apenas doçura e satisfação. Sem aventura, sem explosões.
Era um classicismo bacoco, estafado e monocórdico. Era, apenas, como o cumprir de uma regra, de uma tradição.
Ele parecia conformado com a sua falta de ambição. Sem o rasgo da diferença. Apenas com o dever cumprido.
Ela sonhava, sonhava com fantasias que não tinha coragem de falar e adormecia na ilusão de um cavaleiro que a transportasse na garupa de um alazão e, em qualquer praia deserta a despia, com os dedos a percorrer em suaves carícias um corpo prenhe de desejo.
Sentia a roupa a pouco e pouco ser despojada e o corpo estremecia em frémitos de gozos há muito contidos.
Experimentava uns lábios que a percorriam e uma língua terna e húmida que lhe moldava o pescoço em carícias ternas, lhe descobria o corpo, lhe beijava todos os contornos em fantasias voluptuosas de calor e ternura.
Gozava o fogo que a invadia em espirais de lascívia e de sensualidade.
Deliciava-se com seiva que a percorria e que brotava em míriadas de estrelas que irrompiam no seu cérebro, em explosões de loucura e em gritos de prazer.
Sentia-se a ser trespassada em fogo de glória e de loucura.
Acordou no êxtase de um calor húmido e reconfortante.
Ao lado, o marido, ressonava suavemente.

5 comentários:

AnaT disse...

Palmas! Gostei, mto bonito (só não gostei da parte do ressonar...;o) Acho que ela devia transpor isso para a realidade e raptá-lo para o sonho dela;o))

Filipinha disse...

Caro Manuel,

Relembrarei este texto por muito tempo.
A vida não tem que ser assim mas por vezes é.

Obrigada por este momento fantástico e bom fim-de-semana.

Manuel disse...

bem tentou, mas o que nasce torto..................

Telma Ramos disse...

Realmente eu acho que já andam todos com o "Cheiro da Prima Vera"...por isso dá nestes textos pecaminosos... :)Bom fim de semana

Manuel disse...

Cara Telma, talvez a Primavera tenha algo a ver com a verbe mais ousada.
Mas não veja "pecaminosidade" na realidade.