segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Translúcido.



Há momentos em que escrever se torna doloroso. As palavras doem dentro de nós.
São como cinzéis burilando o emaranhado do nosso pensamento.

Queremos dizer mas não conseguimos, tudo está confuso, num vórtice de ideias dispersas no turbilhão que nos habita.

Sabemos o que queremos exprimir, mas não sabemos dar forma a esta desordem de reflexões, que nos magoam e, não nos deixam ser lineares nas palavras e luminosos nas ideias.

A voracidade do pensamento tropeça no limbo da inquietude que nos baralha, no desconforto das palavras que se atropelam, no tumulto das ideias que gritam.

Há dias em que só nos resta meditar e, na penumbra da nossa sala, escutar esta música.

Depois... deixar que a nossa imaginação nos leve pelos caminhos do imaginável, embalados no doce torpor destes sons.

3 comentários:

Sonhadora disse...

Manuel
Belo texto, com sentimento.
Gostei muito e a música é bela.
Beijinhos

Gigi disse...

É, quando a dor é muito grande não se consegue escrever. Depois dói pela falta que faz escrever. Comigo é assim...

Beijinhos

Luz disse...

Manuel,
Como o entendo! Há dias assim em que a dor atropela tudo..., mas também outros há em que a dor nos permite uma clareza e uma capacidade para colocar no papel tudo o que nos inunda a alma e, num repente conseguimos exprimir tudo o que temos dentro de nós.
São dias, são momentos pelos quais passamos e que vamos conhecendo em nós e aprendendo a lidar.
Porém, é vero, a música sempre companheira e aliada, concordo plenamente.
Deixe que passe o momento, mas não estrangule o grito, as ideias, solte tudo o que tem de soltar no momento certo, em que o sentir.

Beijinho e que este Natal o ilumine desses atropelos...

Sempre muita Luz