sábado, 12 de novembro de 2011

Assim não…ou um fim-de-semana estragado












Conheceu a Leonor num baile de Santo António e, desde logo, ficou preso pelo seu olhar doce e terno.

Não foi fácil mas, finalmente ela aceitou sair. Andaram embevecidos, quase perdidos, sem saber o que dizer.

Ela olhava e ouvia enlevada as frases engasgadas dum apaixonado que, verdadeiramente, não sabia o que dizer.

Quando  lhe perguntou se queria casar não hesitou, era a grande oportunidade de se ver livre do jugo de uns pais antiquados. que a mantinham quase numa clausura de ideias.

Passados, pois, oito meses o padre Eusébio, padrinho da Leonor, abençoou a felicidade visível deste casal.

 Foram em lua-de-mel, quinze dias para o México, e voltaram mais apaixonados do que nunca.

Luís adorava aquela mulher que Deus lhe colocara no caminho.

Leonor nunca foi muito fogosa, mas mostrava o prazer em silêncios que encerravam um mundo de satisfação, e Luís sonhava em senti-la em gemidos longos e deleitosos.

Mas não, era um pouco self-service.

Dizia que o prazer se goza na doçura dos afagos, nos silêncios da satisfação.  

Não precisava, dizia ela, ter um comportamento de profissional para estimular o ego masculino.

De repente tudo mudou.

Agora era diferente, não correspondia aos afectos, fugia aos contactos, estava cansada, tinha enxaquecas.

Que teria feito, ou não feito, para essa indiferença para esse fugir ao que antes, acontecia de forma tão natural?

Mas  jurou que a iria despertar.


Amanhã, ia pedir ao director que o dispensasse de tarde, para fazer uma surpresa à Leonor.

 Iriam ao cinema, jantar fora e até, quem sabe, dançar porque afinal foi assim que começou, queria fazer essa surpresa, ela merecia e o amor tem que ser alimentado.
  

*************

Luís é chefe de segurança numa importante Instituição Financeira, tem uma situação confortável e é muito considerado, porque reconhecem a sua competência e a forma civilizada e dialogante como resolve todas as situações,

Ocupa esse lugar há dez anos e nunca teve necessidade de mostrar a pistola para fazer com que lhe obedecessem.

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Ia sair ao meio-dia, teria a tarde livre e a seguir era Sábado e depois Domingo, se calhar iram mesmo fazer uma extravagância e passar a noite num hotel fino, com todas as mordomias, numa espécie de uma segunda Lua-de-mel, que Leonor tanto merecia.

Foi para a paragem do autocarro e só esperava que não demorasse, porque o frio era muito e, também, estava muito ansioso. Precisava mesmo de comprar um carro, mas a prestação da casa pesava demasiado no orçamento, talvez para o ano, com a promoção a que tem direito, possa aventurar-se na compra de um automóvel.


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Finalmente o autocarro e quase vazio, normal a esta hora, assim como o pouco transito, o que ia tornar a viagem mais rápida. Vinte cinco minutos e estava a descer próximo da sua casa.

Ia fazer uma surpresa, entrar de mansinho e dizer:

-Princesa, vamos fazer um fim-de-semana de sonho?

Já a imaginava a dizer que não deviam fazer essa despesa, mas estava decidido.


Como sempre a porta da rua estava aberta, as pessoas não tem cuidado mesmo, com um aviso a pedir para manter a porta fechada, as criaturas só vão aprender quando apanharem um susto.

Para não fazer barulho não foi de elevador, subiu as escadas suavemente e ainda com mais cuidado abriu a porta e entrou.

Leonor não estava visível
.
Entrou no quarto e na sua cama montada, pelo meu maior amigo, Leonor resfolegava em grandes gemidos de prazer, em tal frenesim que nem sequer deu pela sua chegada.

Sacou a pistola do bolso e pensou, logo ali, dar cabo da cabra e do falso amigo.


Os apaixonados amantes deram, finalmente, pela presença do manso.

Ela tentava com o lençol tapar a nudez que ele tão bem conhecia e, o sacana, tentou puxar as calças largadas no chão, mas o grito de Rui fez com que o gesto não passa-se, disso mesmo, de um gesto.

De repente, Rui, pareceu ter recobrado da surpresa e ordenou com voz calma a que o brilho frio  do cano da arma davam uma autoridade que convinha não contrariar:

-Já à minha frente a caminho da porta e nada de pegar em roupas, não me obriguem a ter o prazer de disparar, garanto que não me custa mesmo nada!


********

Era patético e, ao mesmo tempo, hilariante a forma como Leonor cruzava os braços na tentativa de cobrir a nudez, enquanto o seu fogoso amante apenas colocou as mãos onde se sentia mais desprotegido.

Levou os dois tiritando pelo frio e pelo medo, para o meio da rua, tão nus como quando nasceram.

Uma vizinha, mais condoída, atirou dois roupões para os pobres coitados se cobrirem, mais pelo frio, porque na verdade até estava a gostar do espectáculo.

Não tardou a chegar o carro da polícia, talvez chamado por um dos muitos mirantes que das janelas gozavam o insólito e inesperado espectáculo.

Foram os três parar à esquadra, o casal apaixonado foi mandado em paz e, o triste chifrudo, ficou detido para, na Segunda-Feira, ser presente a um Juiz para ser julgado por atentado à moral pública.




Duplo azar, corno e detido.






















































22 comentários:

Catita disse...

Amigo Manuel, se fosse só a faculdade tudo se resolvia. Não imagina as saudades que sinto de escrever nos meus cantinhos. Quase todos os dias tenho tanto para dizer, abro a página para começar e perco a coragem por pensar demais. E as saudades de ler com atenção e comentar todos os blogues que sigo? Imensas.
Infelizmente a vida decide pregar algumas partidas quando menos esperamos prega várias ao mesmo tempo, deixando-nos completamente desprevenidos e sem saber como reagir. Eu tenho andado assim, desorientada, desmotivada e triste. Preocupa-me nada conseguir fazer, acho que só mesmo o tempo me irá ajudar.
Neste momento, só posso mesmo pedir desculpa por andar muito distante. Espero regressar em breve com muita energia :)
Quero também agradecer a preocupação constante que sinto que vem desse lado, agradeço do fundo do coração mesmo.

Beijinhos

Jacque disse...

Vim oferecer o selinho de 100 seguidores do Blog SER POETA... Está acima das postagens...


Beijo

✿ chica disse...

rssssssss....Puxa., deu azar mesmo...E os pelados, muito bem obrigado!!rsrs Lindo conto, sempre inspirado! abração,chica

acácia rubra disse...

Manuel

Venho agradecer todo o carinho que sempre deixou junto da minha acácia.

Talvez volte um dia, quando andar mais serena.

Um beijo cheio de carinho

SOL da Esteva disse...

Manuel

Tentei, acredita, tentei "adivinhar o final" mas ainda não foi desta que consegui.
Bela trama de uma situação, talvez mais comum que o desejável, mas nos deixa a pergunta final: vítima e chifrudo é que ficou na prisa? Justiça que o não é.

Abraços


SOL

Sonhadora disse...

Meu querido Manuel

Mais uma história muito bem contada, como é teu costume e realmente deve ter sido uma situação caricata, quase que estou a ver a cena, tal foi o realismo que lhe deste.

adorei e deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

AFRICA EM POESIA disse...

Manuel

senti saudades...

EU ANDO POR AQUI,....
ESCREVENDO...
mas como tu ...
não esqueço...

OS AMIGOS...

Dia 11 de Dezembro será ????

bEIJOSSSSSSSSSS

。♥ Smareis ♥。 disse...

Manuel gostei da história. Coitado do Luiz, traído pelo seu melhor amigo, a Leonor mulher fogosa.. Isso que eu chamo de Duplo azar. Beijos e ótima semana amigo.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Manuelamigo

Há um velho ditado que diz que o marido é sempre o último a saber - o que é uma ganda merda!

Mas vieste-me lembrara estória do marido que apanhou a cara metade e um senhor de bigode nesses preparos. E falou alto:

- Deolinda, nunca pensei que me farias uma tal coisa; e você, que eu nem conheço... Porra! Ao menos parem enquanto eu estou a falar!!!...

Abç

Magia da Inês disse...

Ai, ai... corno e detido?!
E depois vem me falar de políticos?
Aqui foi só passional... não era para tanto!...
Quer saber de uma coisa?
Não entendo o mundo!...
Para ti beijinhos.
Brasil.
°º✿
º° ✿♥ ♫°

salete disse...

Mais uma excelente história, Manuel, com um final surpreendente... o coitado ainda ficou preso!rs

Beijinhos, querido.

BlueShell disse...

Ó homem...até me arrepiei...
Mas foi sublime: os dosi amantes nús...pela rua!

Há muitos anos, na novela (vi poucas) brasileira "Gabrielam Cravo e canela" havia uma cena assim...um delírio..
Lembrei-me dela ao ler-te!!!

Espetacular!!!

Palavras disse...

Amigo Manuel,

adorei o texto!!!!

Duplo azar, corno e detido!!!!

Muito bom!

Abraços caro amigo e muito obrigada pelo sua visita no Palavras

rosa-branca disse...

Amigo Manuel, também tentei adivinhar o final, mas sou má nestas coisas...que injustiça o coitado ainda por cima é detido...um azar nunca vem só. Adorei a sua história. Beijos com carinho

Guma Kimbanda disse...

Que ele os ia apanhar, até aí deu para perceber, agora ficar detido por ofensa à moral, não cheguei lá. Um final que surpreendeu, mas não só. A arma que nunca usava porque resolvia tudo a bem, e que hipoteticamente a poderia usar por estar desvairado, mas não.
Toda esta trama está muito bem desenvolvida. Gostei imenso.
Hoje saio com um sorriso e tanto.

Agradeço a companhia e a amabilidade de sempre numa altura em que não me tenho conseguido organizar melhor para visitar os amigos.

Kandandos estimado amigo Manuel

Janita disse...

Olá Manuel!
Mais uma estória bem contada onde não falta um fim pitoresco e divertido.
Nada divertido foi o marido traído ter ficado detido, mas como não houve mortos nem feridos aquilo deve ter sido coisa de pouca monta...
Moral da história: antes de entrar em casa ( sem ser esperado) o melhor é gritar logo à entrada:
" Querida, cheguei!"
As surpresas, trazem surpresas!

Parabéns pela sua fértil imaginação, Manuel.

Um abraço
Janita

acácia rubra disse...

Há momentos em que tudo nos parece grande. A sua presença e cuidado, para comigo não 'parece', é.

Vou andando...

Obrigada por tudo.

Beijo

Magia da Inês disse...

♡°
º✿
º° ♥✿
Olá, amigo!
Aguardamos com ansiedade nova história...
Bom fim de semana!
Beijinhos.
Brasil

❣✿

José María Souza Costa disse...

Cada um com a sua afronta e as suas manias. Gostei do texto Manuel. Mas, quero lhe convidar a vim ao meu blogue. E aproveito para lhe deixar um abraço abrasileirado, de quem está deste outro lado do Atlantico
Felicidades, sempre

Flor de Lótus disse...

Olá meu caro amigo,Manuel!Sempre com contos bacanas pra nos encantar e fazer sonhar,imaginar cada cena,cada personagem.
Beijossss

Vieira Calado disse...

Pois digo que gostei!

Um abraço

Vivian disse...

Olá,Manuel!!!

Ah!Li num fôlego só!!!Mas ainda assim sempre me surpreende meu amigo!!!!
Gosto imensamente do seu estilo!!!
Uma situação terrível, infelizmente falta honra na maioria das pessoas...
*Obrigada pela preocupação!Graças à Deus está tudo bem, só sem tempo e inspiração...estava prestando vestibular e ontem saiu o resultado!!!Estou tão contente!!!Passei!!! Vou fazer Letras!**Espero melhorar muito na escrita!!!
beijos pra ti!