segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dois momentos




1º.

A cara amiga Rain, do Blogue Escritos de Inverno, ofereceu-me este selo, que agradeço pelo que representa.

Fico muito feliz e orgulhoso.

Não vou seguir as regras que estavam adjacentes a esta oferta, mas tenho liberdade de usar a velha máxima, de que as regras existem para serem violadas.

Este selo é também vosso!

Está aqui para ser partilhado com todos.

2º.

A simpática amiga Leila Rodrigues, do Blogue Palavras, teve a gentileza de escrever e dedicar-me este belo momento.

Fico muito feliz e, perdoem-me, um pouco vaidoso com tanto carinho.

Obrigado Leila!

Deixo para poder compartilhar com todos.

O relógio

Até que veio me visitar o Manuel. Sim aquele meu velho amigo de Portugal, escritor dos bons, com quem gosto de tirar uns dedos de prosa.
Contou-me o Manuel que estava triste naquele dia, pois procurava respostas para algumas perguntas difíceis de responder.
Então lhe contei a história abaixo. Fato verídico meu caro amigo. Acontecido comigo mesmo, este seu amigo de muitos anos. Contar-lhe-ei apenas para que você não procure mais respostas, pois que estas chegam por si.
Certa vez, ganhei um relógio. Quando abri a caixa e vi que o presente era um relógio, fiquei alguns minutos parado, observando, sem saber o que dizer.
- O relógio é lindo! Uma peça de colecionador. Obrigado.
Explico a minha reação. Eu nunca usei um relógio na vida. Ou melhor, usei sim, dois dias quando eu estava no colégio e comecei a chegar tarde demais para o almoço. A minha mãe me deu o relógio, aquele até então único que eu havia usado. O objetivo era que eu não me demorasse mais para o almoço. Mal sabia a minha mãe que eu saia correndo da escola para encontrar com a Eliza, filha da Diretora da escola que estudava na escola particular a duas quadras da minha escola... Coisa de adolescente.
Depois teve a fase do banco que tínhamos hora marcada para chegar, mas nunca para sair. Todo bancário é escravo de relógio, mas eu me habituei tanto a me guiar pelo movimento dos meus amigos dentro do banco, que nem assim eu tomei gosto pela peça.
Depois vieram o celular, o relógio no computador e cada dia mais o relógio de pulso foi se tornando desnecessário. Pelo menos para mim.
Mas eu acabara de ganhar um relógio da minha filha que chegou de Londres. Um relógio lindo, uma peça rara. E agora?
Não usá-lo desagradaria e muito a minha filha; usá-lo desagrada minha doce mania de não gostar de relógio. O que fazer?
Coloquei o relógio no meu criado mudo para incentivar uma discussão comigo sobre o uso ou não do dito cujo.  Toda noite eu olhava para ele e pensava:  Amanhã eu usarei. O amanhã chegava e nada de eu criar coragem e colocar o relógio no pulso. O problema é que eu nem sequer tentava. Imaginava que ele seria pesado, que ia me incomodar, que eu ficaria suado debaixo dele e isto poderia ser muito desconfortável, enfim, não me faltaram fundamentos para o não uso da peça.
Enquanto eu não me decidia, fui para a minha janela observar o movimento da cidade, como o faço todas as tardes. Lá embaixo, um jovem sem os dois braços atravessa a rua.  Observei em silêncio. Em silêncio entrei em casa e ainda em silêncio coloquei o relógio. Está no meu pulso até hoje e a minha filha ficou feliz que só. 

Leila Rodrigues

Para o meu amigo Manuel com todo respeito e admiração








8 comentários:

Rain disse...

Grande beijinho com carinho.Faz muito bem saltar as regras. Porque as coisas também se fizeram para serem desfeitas e não levo nada a mal. Abraço amigo e não era preciso agradecer. Foi com muita alegria que lho ofereci. Obrigado, eu!

Nikita disse...

Querido amigo Manuel,
Mais que merecido o selo da Rain e a história que lhe foi oferecida, lindíssima e comovente. Tem todos os motivos para se sentir envaidecido.
Gostei muito.

Beijo

Mary disse...

Parabéns pelo selo merecidamente, e pela homenagem ao seu amigo.

Acredita que eu tbm não gosto de relógio?

Um beijo com carinho!

Palavras disse...

Caro amigo,

Foi com muito gosto que lhe fiz este texto. Grande abraço

Leila

✿ chica disse...

Lindo e merecido selo e que presentão esse da Leila! Parabéns aos dois. Leila escreve maravilhosamente! abraços,chica

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Um texto bonito. Gostei. Afinal nós temos onde usar o relógio...não como um adorno mas como um presente que recebemos ao nascer com perfeição.

O outro presente também fico contente mas sempre recusei estes selinhos.
Simples provas de amizade.
A amizade eu agradeço mas os selos não.

LUZ disse...

Olá, estimado Manuel!

Prendinhas, quem não gosta?
Um selo sobre incentivo à leitura e um texto muito inteligente de uma amiga e seguidora.

Só quando vemos situações extremas é que percebemos e damos valor às coisas.

Tenha uma noite feliz.
Beijo, com estima.

JP disse...

Meu caro amigo,
O relógio dá sempre jeito. E não só para ver as horas....:)

Parabéns pelo prémio.

Abraço